China corre risco de perder a batalha pela produção de chips de ponta
A China produz seus próprios chips de computador, mas as máquinas para todos eles vêm do Ocidente. Pequim tenta, sem sucesso, mudar isso há 20 anos
A China, embora tenha desenvolvido sua própria capacidade de produção de chips, ainda depende completamente de máquinas ocidentais para essa fabricação.
Este fato se tornou evidente durante a recente feira de chips em Xangai, onde as empresas chinesas mostraram avanços na concepção de chips, mas as ferramentas necessárias para sua produção continuam sendo importadas.
A Shanghai Micro Electronics Equipment (SMEE), que deveria ter liderado a construção de uma indústria de chips nacional, viu seu estande deserto na feira, refletindo a frustração com seus produtos pouco competitivos.
Atualmente, o equipamento necessário para a fabricação de chips representa o ponto mais vulnerável da China em sua disputa tecnológica com os Estados Unidos.
O país se encontra totalmente dependente das máquinas ocidentais para produzir chips modernos. Cada chip desenvolvido pela gigante Huawei para inteligência artificial (IA) é inimaginável sem a tecnologia estrangeira.
Por duas décadas, as autoridades chinesas esperaram que a SMEE se tornasse um pilar da autonomia tecnológica. No entanto, os resultados não foram satisfatórios e a empresa parece ter sido deixada de lado pelo governo.
Esperança por indústria própria
A importância de desenvolver uma produção interna de chips foi reconhecida pelos líderes chineses muito antes do início do conflito tecnológico com os EUA.
Em 2002, o governo chinês fundou a SMEE com o objetivo de avançar na tecnologia de produção de chips, focando na litografia ultravioleta profunda (DUV), um processo essencial que permite “imprimir” transistores em wafers, base dos chips. Esse método exige precisão extrema e equipamentos altamente sofisticados.
Com o passar dos anos, apesar dos esforços para desenvolver soluções nacionais para componentes como lasers e lentes, os produtos da SMEE falharam em competir no mercado global devido à sua falta de precisão.
Início do conflito tecnológico
Entre 2011 e 2014, as vendas da SMEE foram mínimas e consideradas insatisfatórias até mesmo pelo governo chinês, que incentivava as empresas locais a utilizarem seus equipamentos.
A maioria optou por máquinas ocidentais mais avançadas. De 2015 a 2019, a SMEE não vendeu nenhuma máquina DUV, enquanto seus concorrentes continuavam adquirindo tecnologia moderna.
Em 2015, Xi Jinping lançou oficialmente a iniciativa “Made in China 2025”, focando na independência tecnológica. Em resposta, os EUA começaram a restringir o acesso da China às tecnologias mais avançadas em um movimento claro de contenção.
Corrida contra o tempo
Compreendendo que precisava de um novo jogador no mercado que pudesse realmente oferecer independência tecnológica, o governo chinês apostou na Sicarrier, uma empresa relativamente nova no cenário tecnológico.
A Sicarrier parece estar colaborando estreitamente com a Huawei, outra gigante chinesa envolvida nas tentativas do país de se desvincular das tecnologias ocidentais.
O suporte governamental é significativo e existem esforços para atrair talentos do exterior para impulsionar sua capacidade tecnológica.
No entanto, o futuro exato das inovações da Sicarrier permanece incerto devido ao alto nível de sigilo em torno de suas operações.
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