China acusa EUA de violar trégua tarifária
Pequim e Washington se acusam mutuamente de descumprir acordo provisório na disputa comercial entre os países
O governo chinês criticou nesta segunda-feira, 2, os Estados Unidos por supostas violações do acordo de trégua tarifárias entre os países.
De acordo com o Ministério do Comércio da China, a administração Trump adotou medidas que “violam seriamente o consenso”, entre as quais a emissão de diretrizes de controle de exportação de chips de inteligência artificial, a interrupção da venda de software de design de chips para o governo chinês e a revogação de vistos para estudantes do país asiático.
“Os Estados Unidos provocaram unilateralmente novos atritos econômicos e comerciais, exacerbando a incerteza e a instabilidade das relações econômicas e comerciais bilaterais”, diz trecho.
No mês passado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e as autoridades chinesas assinaram um documento conjunto concordando por uma trégua na guerra tarifária.
O acordo é válido por 90 dias.
“China violou o acordo”
Na sexta, 30, Trump acusou a China de violar o acordo comercial.
“Fiz um rápido acordo com a China para salvá-los do que pensava que seria uma situação muito ruim, e não queria que isso acontecesse. Graças a este acordo, tudo estabilizou rapidamente e a China voltou ao normal (…). A má notícia é que a China, talvez sem surpresa para alguns, violou totalmente o acordo conosco”, escreveu Trump. Ele não detalhou quais pontos do tratado teriam sido descumpridos.
“Há duas semanas, a China corria um grave perigo econômico. As tarifas elevadíssimas que impus tornaram praticamente impossível à China negociar com o mercado americano, que é de longe o número um do mundo”, acrescentou o presidente americano.
Firmado na Suíça, o acordo previa a redução temporária das tarifas retaliatórias: as taxas dos EUA sobre produtos chineses caíram de 145% para 30%, enquanto as da China sobre produtos americanos passaram de 125% para 10%.
Negociações estagnadas
Apesar da redução temporária, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que as negociações estão “um pouco estagnadas” e poderão exigir uma conversa direta entre Trump e o líder chinês, Xi Jinping.
“A complexidade do tema exige comunicação entre os dois líderes”, afirmou Bessent à Fox News.
Autoridades americanas também criticaram a lentidão da China em cumprir pontos do pacto. O Representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que Pequim não tem cumprido as promessas de flexibilizar o controle sobre minerais e ímãs de terras raras.
“Não vimos o fluxo desses minerais críticos como deveria estar acontecendo”, disse.
Vistos para estudantes chineses
Os EUA anunciaram nesta semana novas medidas que endureceram a relação com a China, incluindo restrições à venda de softwares de design de chips e a revogação de vistos de estudantes chineses — medidas que Pequim classificou como discriminatórias.
Em publicação nas redes sociais, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, anunciou que os EUA começarão a revogar vistos de estudantes chineses, como consequência da ordem do governo Trump para as embaixadas suspenderem os agendamentos de entrevistas de visto para estudantes estrangeiros.
Rubio afirmou que serão impactados os alunos que tenham “conexões com o Partido Comunista Chinês”.
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