Musk expressa decepção com Trump e os republicanos ao deixar o cargo
Elon Musk está oficialmente se aposentando do governo. Ele agradeceu a Trump, mas também criticou sua política de endividamento.
Após a vitória de Donald Trump nas eleições de novembro, Elon Musk, o bilionário e fundador da Tesla e SpaceX, se sentiu como um vencedor.
Com um investimento de cerca de 300 milhões de dólares na campanha do candidato republicano, Musk acreditava que a votação representava não apenas uma escolha política, mas “o futuro da civilização”.
Acreditando que poderia cortar gastos públicos em até 2 trilhões de dólares por meio de uma burocracia mais eficiente, ele não queria deixar essa tarefa apenas nas mãos de Trump.
Com o triunfo nas urnas, Trump confiou a Musk a liderança do recém-criado Departamento de Eficiência Governamental (Doge), onde o presidente frequentemente aparecia ao lado do empresário, mais do que com sua própria esposa Melania.
No entanto, essa relação próxima parece ter chegado ao fim. Nas últimas semanas, houve um esfriamento perceptível entre os dois, culminando com o anúncio oficial do afastamento de Musk através de uma postagem na plataforma X.
A missão do Doge
O empreendedor procurou minimizar seu desligamento, agradecendo a Trump pela oportunidade e afirmando que a missão do Doge continuaria em andamento.
Contudo, seu papel como funcionário especial estava limitado a apenas 130 dias por ano, o que significava menos obrigações legais em relação à transparência financeira e conflitos de interesse.
Um mês antes do seu anúncio, já era evidente que Musk não conseguiria atingir suas metas ambiciosas de economia.
De acordo com estimativas do Doge, as iniciativas de corte de custos lideradas por Musk totalizaram apenas 175 bilhões de dólares, bem aquém da meta inicial de 2 trilhões e até mesmo da revisada meta de 1 trilhão.
A ONG Partnership for Public Service alertou que as medidas adotadas pelo departamento poderiam custar aos contribuintes mais de 135 bilhões de dólares devido à sua execução apressada e muitas vezes desconsiderando normas legais.
Demissões em massa
As demissões promovidas por Musk foram realizadas sem critério adequado e frequentemente ignoraram a legislação vigente.
O exemplo mais notório foi o desmantelo abrupto da Agência dos EUA para Desenvolvimento Internacional (USAID), resultando em funcionários sendo deixados sem acesso aos seus locais de trabalho devido à falta de aprovação orçamentária pelo Congresso.
Muitas demissões acabaram sendo revertidas após decisões judiciais ou pela necessidade dos serviços prestados pelos ex-funcionários.
Musk descreveu sua abordagem como um desejo de “liberar” a burocracia com medidas drásticas. Essa postura provocou reações negativas dentro da administração Trump, levando o presidente a sugerir que as demissões deveriam ser tratadas com mais delicadeza.
“Big Beautiful Bill”
Recentemente, Musk reconheceu que o desempenho do Doge não foi tão eficaz quanto desejado. Em entrevista, ele criticou também o novo projeto orçamentário apoiado por Trump e pelos republicanos, denominado “Big Beautiful Bill”, que foi aprovado na Câmara dos Representantes e aguarda validação no Senado.
Ele expressou desapontamento com o plano, argumentando que aumentaria o déficit orçamentário e comprometeria os esforços do Doge.
“Já fiz bastante”
Musk anunciou sua intenção de focar mais em suas empresas e reduzir seus investimentos em campanhas eleitorais. “Já fiz bastante”, declarou recentemente.
Apesar disso, manter um bom relacionamento com Trump ainda é visto como importante para ele, especialmente após o insucesso recente em testes da Starship, onde anunciou um aumento na frequência dos testes futuros.
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