Steve Wozniak critica IA, fala sobre legado da Apple e projeta futuro da tecnologia
Parceiro criativo de Steve Jobs afirma: “Uma pessoa criativa não quer que alguém diga: “'Eu sei o que você vai fazer'”.
Steve Wozniak, cofundador da Apple e engenheiro por trás do icônico Apple II, expressou ceticismo em relação à inteligência artificial, destacando suas limitações para pessoas criativas e os riscos de seu mau uso.
Em entrevista recente, falou sobre a necessidade de regulação para big techs, compartilhou suas visões sobre biometria e o futuro dos smartphones, além de refletir sobre o impacto duradouro da tecnologia que ajudou a criar.
Wozniak e o ceticismo criativo
Conhecido por sua capacidade de antecipar o futuro da tecnologia, Wozniak demonstra pouca empolgação com o estágio atual da inteligência artificial. Uma das principais razões é o que ele considera a previsibilidade que a IA impõe.
Pessoas criativas, como atores, artistas e músicos, não querem que uma máquina determine ou preveja o que elas vão pensar ou fazer. Ele afirma não usar os recursos de IA da Apple em seu iPhone. Prefere que as coisas funcionem da maneira que ele espera, minimizando a intervenção da máquina.
O parceiro de Steve Jobs na criação da Apple também levanta preocupações sobre como a IA pode ser utilizada de forma prejudicial. Agentes mal-intencionados podem abusar da tecnologia, mencionando exemplos como deep fakes. Embora as pessoas confiem na IA, ela comete (muitos) erros.
Na visão dele, a IA simplesmente compila informações de diversas fontes na internet, oferecendo uma única resposta, como se fosse universalmente correta, ignorando as diferenças entre as pessoas. Para mitigar esses problemas e regular a IA em benefício da sociedade, Wozniak sugere três pontos cruciais.
Primeiro, deve ficar claro para todos quando algo é gerado por IA. Segundo, é preciso saber qual IA foi usada e em quais recursos (de qual empresa) ela foi treinada, pois isso afeta a confiança na resposta. Terceiro, a IA deveria fornecer atribuições, permitindo rastrear a origem de cada afirmação, de forma semelhante a artigos científicos revisados por pares, o que ajudaria a construir um raciocínio lógico verificável.
Contudo, Wozniak acredita que essa rastreabilidade detalhada é improvável de acontecer, pois seria perigosa para as empresas e exigiria significativamente mais recursos computacionais. Além disso, ele aborda o caráter de “caixa-preta” da maioria dos algoritmos de IA, cujo funcionamento exato é desconhecido até mesmo por seus criadores.
Embora metodologias sejam ensinadas em universidades, a forma como as empresas aplicam e evoluem para gerar respostas baseadas em linguagem humana torna o processo opaco. Essa falta de entendimento interno significa que, mesmo com código aberto, os mesmos defeitos podem persistir.
Passado e futuro da tecnologia
Quando se trata do futuro da Apple na área de IA, Wozniak acredita que a empresa tem potencial para competir.
Refletindo sobre sua contribuição para o mundo em que vivemos, Wozniak tem orgulho não apenas pela Apple, mas pelo ecossistema digital que dela surgiu – produtos, aplicativos, a internet –, algo que “tinha que começar de algum lugar”. Seu objetivo inicial era colocar computadores nas casas das pessoas, acreditando que isso as tornaria mais capazes.
Sobre a regulação de grandes empresas de tecnologia (big techs), ele não hesita: considera necessário algum tipo de regulação para o progresso. Ele compara às emendas constitucionais, que definem limites para prevenir ações prejudiciais contra liberdades e direitos.
Para ele, regular empresas é similar: estabelecer o que não deve ser feito por ser considerado ruim. Ele ressalta a importância de evitar que a regulação privilegie certas empresas em detrimento de outras, o que seria imoral e antiético.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)