Democratas tentam “reconquistar” homens com projeto de US$ 20 milhões
Plano é resposta a derrotas de 2024 e à perda de apoio de trabalhadores
O Partido Democrata dos Estados Unidos lançou um projeto de US$ 20 milhões, o equivalente a cerca de R$ 100 milhões, para tentar recuperar o apoio de homens da classe trabalhadora.
A iniciativa, batizada de SAM (“Speaking with American Men: A Strategic Plan“), é uma reação direta às derrotas eleitorais de 2024, que consolidaram uma migração significativa desse eleitorado para o campo republicano.
O objetivo do projeto é estudar a linguagem, a cultura e os hábitos online desses homens, especialmente os mais jovens, a fim de desenvolver uma comunicação mais eficaz.
Isso inclui ações como veicular anúncios em plataformas dominadas por público masculino, como videogames e fóruns virtuais.
A iniciativa dos democratas está diretamente relacionada ao fracasso do “wokismo” e ao elitismo que passaram a marcar a identidade recente do partido.
Ao longo dos últimos anos, o Partido Democrata foi progressivamente identificado com uma elite alienada e distante das preocupações cotidianas da classe trabalhadora.
A adoção de pautas identitárias radicais — como linguagem neutra e transativismo — ampliou o distanciamento entre o partido e seu eleitorado tradicional.
Figuras do próprio partido, como James Carville e Lindy Li, reconheceram publicamente que a obsessão democrata com agendas “woke” afastou setores conservadores e trabalhadores.
A escolha de Kamala Harris para a vice-presidência na eleição de Joe Biden foi citada por críticos como um exemplo de “tokenismo identitário” que ignorou o mérito e a impopularidde da candidata derrotada por Trump no ano passado.
Estudos indicam que a elite democrata, concentrada nas costas leste e oeste dos EUA, tem uma visão de mundo diferente da maioria dos americanos.
Enquanto essa elite acredita que “as coisas vão bem”, grande parte da população relata insegurança econômica, inflação e promessas não cumpridas.
Esse descolamento contribuiu para a migração de homens da classe trabalhadora para o Partido Republicano. “Não deveria ser surpresa para um partido que abandonou a classe trabalhadora ser abandonado por ela”, afirmou Bernie Sanders após as eleições de 2024.
Internamente, o projeto SAM também tem enfrentado críticas.
Parte da militância questiona a realização de reuniões em hotéis de luxo e o tom “antropológico” do estudo, que trata os homens da classe trabalhadora como um grupo exótico a ser analisado.
Pesquisas encomendadas indicam que o público-alvo rejeita uma comunicação moralista e espera dos políticos uma defesa concreta de seus interesses.
O plano é uma tentativa de reverter danos de longo prazo à base eleitoral democrata.
Com aprovação pública em queda e divisões internas, o partido aposta no SAM como estratégia para reconstruir pontes antes das eleições de 2026.
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