Governo britânico aposta em IA para cortar custos e agilizar consultas públicas
Ferramenta pode economizar até 20 milhões de libras por ano - equivalente a R$ 130 milhões
O governo do Reino Unido passou a utilizar uma suíte de inteligência artificial desenvolvida internamente, chamada Humphrey, para acelerar a análise de consultas públicas e reduzir despesas administrativas.
A principal ferramenta do pacote é a Consult, projetada para interpretar e categorizar automaticamente respostas enviadas pela população em processos de escuta pública.
O sistema foi testado pela primeira vez em uma consulta conduzida pelo governo escocês sobre a regulamentação de procedimentos estéticos não cirúrgicos, como depilação a laser e preenchimento labial.
A IA analisou mais de duas mil respostas, identificando temas recorrentes a partir de seis perguntas qualitativas. Segundo o governo, os resultados da Consult foram “praticamente idênticos” aos obtidos por analistas humanos, o que sugere eficiência no ranqueamento de temas prioritários.
A economia estimada com a adoção da ferramenta é de até 20 milhões de libras por ano — algo em torno de R$ 130 milhões — com a automatização do equivalente a 75 mil dias de trabalho de servidores públicos.
De acordo com o secretário de tecnologia, Peter Kyle, “ninguém deveria perder tempo com algo que a inteligência artificial pode fazer mais rápido e melhor”.
Além da Consult, a suíte Humphrey incorpora tecnologias para transcrição de reuniões, redação de documentos administrativos, análise legislativa e debates parlamentares.
A proposta, segundo o governo britânico, é permitir que os analistas humanos concentrem seus esforços em tarefas mais complexas e estratégicas, enquanto as máquinas realizam a triagem inicial do conteúdo recebido.
Especialistas, no entanto, apontam riscos. A categorização de temas, por exemplo, é uma atividade subjetiva e sua automatização pode mascarar nuances importantes.
O professor Michael Rovatsos, da Universidade de Edimburgo, advertiu que “o risco de viés na IA não deve ser ignorado”. Ele lembrou que, embora a revisão humana esteja prevista, nem sempre há tempo ou estrutura para que ela ocorra de forma sistemática.
O governo britânico reconhece que a adoção plena da tecnologia requer avaliações adicionais e aprimoramentos contínuos.
A iniciativa, no entanto, já sinaliza uma mudança relevante na forma como o poder público lida com a participação popular, com potencial de impacto significativo na produtividade e na formulação de políticas públicas.
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