Haddad esperou Bolsa fechar para anunciar aumento de IOF
Governo Lula aposta na elevação da receita, sem tocar nos verdadeiros gargalos da máquina pública
O anúncio de um bloqueio de 31,3 bilhões de reais no Orçamento de 2025 chegou como música aos ouvidos do mercado. Sinalizava, ao menos num primeiro momento, algum compromisso fiscal do governo. Mas a melodia durou pouco.
Antes mesmo que os investidores pudessem comemorar com mais convicção, veio a segunda parte da partitura: o aumento do IOF, medida da qual muitos agentes do mercado suspeitavam ao longo do dia, foi confirmado sorrateiramente após o fechamento da sessão regular. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (foto), mais uma vez, preferiu o silêncio do pós-bolsa para dar a má notícia.
IOF: aumento com DNA arrecadatório
O decreto presidencial que ajusta as alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) trouxe mudanças significativas, sobretudo para o setor produtivo. Empresas que contratam crédito agora pagarão até 3,95% ao ano de IOF — o dobro do que pagavam.
No câmbio, o peso também aumentou: remessas ao exterior e cartões internacionais passam a ser taxados em 3,5%. Mesmo com a exclusão de pessoas físicas e linhas como FIES e habitação, o recado foi direto: arrecadar 20,5 bilhões de reais já em 2025 e 41 bilhões de reais em 2026. Uma aposta clara na elevação da receita, sem tocar nos verdadeiros gargalos da máquina pública.
Mercado captou o sinal – e respondeu
Não por acaso, o dólar, que chegou a ser negociado abaixo de 5,60 reais pela manhã, virou e subiu para 5,66 reais.
O Ibovespa, que operava em leve alta, cedeu 0,44% e encerrou no vermelho.
Os juros futuros, que ensaiavam uma queda diante do contingenciamento orçamentário, reduziram o ritmo.
A cereja no bolo foi o comportamento do fundo EWZ, que representa ações brasileiras em Nova York: caiu 3,16% no after hours.
A leitura dos investidores é simples — a medida pode parecer fiscalmente responsável na superfície, mas revela um governo que prefere apertar os parafusos tributários em vez de repensar sua estrutura.
Crédito mais caro, crescimento mais lento
Analistas do setor empresarial foram unânimes: a elevação do IOF é um entrave adicional ao já combalido crédito corporativo.
Pequenas e médias empresas, que dependem fortemente de capital de giro, serão especialmente penalizadas.
Empresários com leitura fina de mercado alertam que essa escolha afasta o empreendedorismo e sufoca a inovação.
A política tributária, ao invés de incentivar o ciclo virtuoso de produção e investimento, empurra a economia para um estado de estagnação silenciosa.
Descompasso perigoso entre discurso e ação
O governo fala em harmonizar política fiscal com a trajetória dos juros, como se fosse possível conter inflação com aumento de impostos.
A realidade é que, enquanto o Banco Central mantém a Selic em patamar elevado para conter riscos (principalmente o Risco-Brasil), o Ministério da Fazenda joga para arrecadar, sacrificando o dinamismo empresarial.
Haddad repete a estratégia: espera o mercado fechar, como quem tenta evitar o alvoroço. Mas o estrago já está feito.
O que deveria ser uma sinalização de responsabilidade virou mais um capítulo de desconfiança.
Afinal, em Brasília, o timing da notícia costuma dizer mais que a notícia em si.
Pedro Kazan é profissional do mercado financeiro desde 1999, empreendedor e palestrante, formado em Engenharia de Produção com ênfase em Engenharia Econômica pela UFRJ. De 2002 a 2004, fez parte do Controle Operacional da Mesa Proprietária do Banco BBM, de onde saíram os fundadores das mais renomadas Assets do Brasil, como SPX, Kapitalo e Navi. Desde 2004 dedica-se à Gestão de Recursos e Assessoria de Investimentos Private. Fundador do canal de educação financeira KZN Investimentos. Nascido no Rio de Janeiro. Vivendo em Lisboa.
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Comentários (4)
Marian
23.05.2025 08:54Estamos fritos. Esse é o planejamento da economia? Esperar a bolsa fechar? Deixo aqui minha gargalhada nervosa.
Alexandre Ataliba Do Couto Resende
23.05.2025 07:41Taxxad não decepciona. A cada 2 meses um aumento de imposto.
VITOR CARLOS MARCATI
23.05.2025 06:49Incompetência se paga com mais impostos, o duro é que teremos praticamente mais 2 anos dessa tragedia, pobre do Brasil, pobre do brasileiro
Claudemir Silvestre
22.05.2025 23:48Então … alguém tem que pagar a Reeleição do LULA no ano que vem !!! 🤷🏻🤷🏻🤷🏻🤷🏻🤷🏻🤷🏻🤷🏻