Oficiais passaram a “agir concretamente” por golpe após as eleições, diz PGR
Cláudia Sampaio disse que o grupo realizou reuniões para pressionar o comando do Exército a aderir a um plano golpista
Durante a análise da denúncia do chamado ‘Núcleo 3’ da trama do golpe no Supremo Tribunal Federal (STF), a subprocuradora-geral da República Cláudia Sampaio afirmou que os 12 integrantes desse grupo agiram “concretamente” em prol de um golpe de Estado após o resultado das eleições das 2022 desfavorável ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
“Quando se deram conta que nada mais podia ser feito em relação às eleições, que transcorreram dentro dos rigorosos padrões de legalidade, passaram a agir concretamente para a efetivação do golpe de Estado”, declarou a sub-procuradora-geral.
“O núcleo era composto essencialmente por integrantes das forças especiais, que, além de promover ações táticas para convencer e pressionar o Alto Comando do Exército aderir ao movimento golpista, exerceram relevante papel na execução das estratégias de ruptura do regime democrático, notadamente na parte envolvendo neutralização de autoridades”, acrescentou ela.
Com base em elementos colhidos na investigação, a denúncia descreveu que seus integrantes apoiaram e agiram efetivamente para tornar possível o golpe de Estado.
Claudia Sampaio Marques elencou diversas ações protagonizadas pelo Núcleo 3 para esse objetivo, como a realização de reuniões para pressionar o comando do Exército a aderir ao projeto de ruptura da ordem democrática e o planejamento e a participação em operações coercitivas que pretendiam neutralizar autoridades.
Quem é integrante do Núcleo 3?
“Com o julgamento de hoje vai ser possível ter-se uma visão completa do conjunto de fatos atribuídos aos grupos criminosos”, avaliou a subprocuradora-geral ao ressaltar que os depoimentos de colaboradores na fase de investigação não influenciaram na denúncia apresentada pela PGR.
Os 12 integrantes do Núcleo 3 são: Bernardo Romão Correa Netto (coronel), Cleverson Ney Magalhães (coronel da reserva), Estevam Cals Theophilo Gaspar de Oliveira (general da reserva), Fabrício Moreira de Bastos (coronel), Hélio Ferreira Lima (tenente-coronel), Márcio Nunes de Resende Júnior (coronel), Nilton Diniz Rodrigues (general), Rafael Martins de Oliveira (tenente-coronel), Rodrigo Bezerra de Azevedo (tenente-coronel), Ronald Ferreira de Araújo Júnior (tenente-coronel), Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros (tenente-coronel) e Wladimir Matos Soares (agente da Polícia Federal).
Eles foram denunciados pelos crimes de envolvimento em organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.
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Comentários (1)
Joaquim Arino Durán
20.05.2025 13:52Cana geral