Crusoé: De terno e sem fuzil

26.07.2026

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Redação O Antagonista
5 minutos de leitura 16.05.2025 14:19 comentários
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Crusoé: De terno e sem fuzil

Após anos de regime de Assad, os sírios depositam suas esperanças em um homem que até ontem era procurado pelos Estados Unidos

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Crusoé: De terno e sem fuzil
Ahmed al-Sharaa, Donald Trump e Mohammed Bin Salman. Reprodução.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, surpreendeu o mundo ao anunciar o fim das sanções econômicas à Síria em 13 de maio.

“Eu estarei ordenando o fim das sanções contra a Síria para dar a eles uma chance de grandeza”, afirmou o republicano, sendo aplaudido de pé pelo ditador saudita Mohammed bin Salman durante visita a Riad.

A decisão foi tomada seis meses após o grupo Hay’at Tahrir al-Sham (HTS) — ainda classificado como terrorista pelo Departamento de Estado americano — derrubar a ditadura de Bashar Assad.

O alívio das punições representa uma esperança aos sírios, que saíram às ruas da capital Damasco para festejar a notícia.

Desde 1979, os EUA impõem sanções econômicas à Síria em resposta aos crimes contra a humanidade ou apoio a grupos terroristas.

Jovem atraente

No dia seguinte ao anúncio, Trump reuniu-se com o presidente sírio Ahmed al-Sharaa, a quem classificou “um rapaz jovem atraente, durão e com um passado sólido”, em Doha.

O “passado” ao qual o republicano se referia é o de líder do HTS — uma costela da Al Qaeda — quando Sharaa era chamado de Mohamed al-Jolani.

Trump enxerga no novo presidente sírio um aliado para impedir o ressurgimento do Estado Islâmico (Isis), que foi derrotado pelo regime de Assad durante a guerra civil de 2015.

Como em todas as suas negociações, Trump fez cinco exigências a Sharaa.

A Síria deve: assinar os Acordos de Abraão com Israel, expulsar os terroristas da Síria, deportar combatentes palestinos, ajudar os Estados Unidos a impedir o recrudescimento do Estado Islâmico (Isis) e assumir os centros de detenções onde há terroristas presos.

Os Estados Unidos temem que o país torne-se uma nova Líbia ou Afeganistão.

Financiamento

Sharaa terá o desafio de lidar com a influência da Turquia, cujo governo de Recep Tayipp Erdogan foi o principal financiador da insurgência do HTS contra Assad em dezembro do ano passado.

Desde então, os turcos buscam ampliar sua presença estratégica sobre o novo governo da Síria.

Um dos desejos de Ancara é controlar o espaço aéreo sírio.

Israel, no entanto, surge como obstáculo para Erdogan.

O governo de Benjamin Netanyahu quer evitar que o armamento deixado por Assad seja utilizado pelas forças do novo governo interino sírio ou pelo Estado Islâmico.

Em ofensiva recente, o exército israelense destruiu arsenais militares deixados pela ditadura.

Com isso, enviou um sinal para a Turquia que não deixará ter mais influência sobre o país.

As autoridades israelenses também temem a formação de eixos islâmicos sunitas liderados pelos turcos.

Síria e Israel não mantém relações diplomáticas.

Unidade

A maior missão do governo sírio será a de manter a Síria unida.

Sharaa não foi eleito presidente do país, e chegou ao poder após um golpe armado.

Ciente da falta de legitimidade interna, ele prometeu novas eleições presidenciais.

No entanto, deu um prazo de quatro a cinco anos para a realização, alegando que “qualquer eleição válida exigirá um censo populacional abrangente”.

Além disso, o novo governo já apresentou um rascunho preliminar de uma nova Constituição, como garantia de uma Síria democrática prometida à comunidade internacional.

A Constituição anterior, de 2012, foi criada por Bashar Assad.

Nos primeiros meses, o país registrou confrontos entre o Exército sírio e remanescentes do regime.

Em março, houve ataques entre milícias pró-Assad e as forças do novo governo.

Em resposta, o Exército matou centenas de pessoas da minoria alauíta, da qual o antigo regime fazia parte.

As disputas duraram três dias.

Economia

As décadas da ditadura familiar de Assad empurraram a Síria para um buraco econômico.

Irã e Rússia financiaram o regime sírio por décadas.

Após o fim desse período, o novo governo foi atrás de ajuda internacional para a reconstrução do país.

Além de Trump, Sharaa reuniu-se com o presidente francês, Emmanuel Macron, e com líderes europeus.

Em fevereiro, a presidente da Comissão Europeia (CE), Ursula von der Leyen, anunciou a ampliação para “cerca de 2,5 bilhões de euros” da ajuda destinada à reconstrução da Síria.

“À medida que abordamos as necessidades imediatas dos sírios, devemos começar a nos preparar para o futuro. Há cidades inteiras para reconstruir e economias inteiras para reiniciar“, disse Ursula.

A Síria era uma das potências econômicas do Oriente Médio. E queremos ser parceiros na recuperação e no crescimento de uma nova Síria“, afirmou Ursula.

Com apoio do ditador saudita Mohammed Bin Salman, a diplomacia foi restabelecida com pares internacionais.

Internamente, Sharaa preencheu postos públicos deixados vagos após a queda de Assad. Essa era uma reivindicação da população.

Os sírios sentem no bolso…

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