Venda de sentenças: suspeito de atrapalhar investigação se entrega à PF
Diego Cavalcante é apontado como operador do esquema
O empresário Diego Cavalcante Gomes se entregou nesta quinta-feira, 15, à Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Ele estava foragido desde o dia anterior, quando agentes tentaram cumprir um mandado de prisão preventiva expedido pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF). A ordem foi motivada por suspeitas de que o empresário tentou obstruir a Operação Sisamnes, que investiga um esquema de venda de sentenças judiciais, supostamente envolvendo até gabinetes de ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Segundo a Polícia Federal, os alvos da nova fase da investigação realizaram “atos graves de obstrução da Justiça” para dificultar o cumprimento de medidas judiciais executadas na terça-feira, 13, durante a 5ª fase da operação. Outro suspeito já havia sido preso na quarta-feira. Também foi cumprido um mandado de busca e apreensão.
A ação mira uma rede financeira e empresarial acusada de lavar propinas pagas em troca de decisões judiciais no STJ.
Diego Cavalcante é apontado como operador do esquema e teria ligação direta com o lobista Anderson Gonçalves, preso em fases anteriores da Sisamnes e conhecido como o “lobista dos tribunais”.
O ex-presidente da OAB-MT Ussiel Tavares foi alvo de mandado de busca e apreensão na 5ª fase da operação. Em nota, sua defesa disse desconhecer o teor da decisão judicial, mas se colocou à disposição para prestar esclarecimentos.
Na 6ª fase, além das prisões, o STF determinou o bloqueio de ativos financeiros, o sequestro de bens avaliados em R$ 20 milhões, apreensão de passaportes e a proibição de saída do país para os investigados.
As medidas foram tomadas menos de 24 horas após o cumprimento de 11 mandados de busca e apreensão em cidades do Mato Grosso, São Paulo e Distrito Federal.
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Operação Sisamnes
A Operação Sisamnes foi deflagrada após o assassinato do advogado Roberto Zampieri, em dezembro de 2023, em Cuiabá.
A investigação sobre o crime levou à descoberta de um suposto esquema de venda de decisões judiciais em Mato Grosso, que posteriormente chegou ao STJ. Desde então, seis fases foram realizadas pela Polícia Federal, com alvos que incluem empresários, advogados, lobistas, chefes de gabinete e servidores do Judiciário.
Na primeira fase, a PF prendeu Anderson Gonçalves e fez buscas em endereços ligados a auxiliares de ministros do STJ — servidores que foram afastados e também respondem a processos administrativos.
A investigação também apura crimes como lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, evasão de divisas, organização criminosa e operação de câmbio ilegal. Em uma das fases, a PF identificou uma rede clandestina de monitoramento e venda de informações sigilosas sobre investigações em curso no STJ.
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