Índia e Paquistão intensificam confronto com lançamento de mísseis
Secretário de Estado dos EUA conversa com autoridades indianas e paquistanesas para conter escalada do conflito
O confronto militar entre Índia e Paquistão se intensificou neste sábado, 10, com ataques mútuos a bases aéreas e alertas de escalada por parte dos dois governos. Em meio ao agravamento das hostilidades, os Estados Unidos e países do G7 pediram moderação e diálogo direto entre os rivais nucleares.
Segundo o Paquistão, aeronaves indianas atacaram três bases aéreas nas primeiras horas do dia, incluindo a estratégica Nur Khan, próxima à capital Islamabad.
Em resposta, Islamabad lançou mísseis de curto alcance contra alvos na Índia, atingindo as bases de Udhampur, Pathankot e um depósito de mísseis. “Olho por olho”, declarou o Exército paquistanês em comunicado.
Nova Délhi também classificou sua ofensiva como retaliação, alegando que forças paquistanesas haviam atacado 26 pontos com drones e armas de longo alcance. A Força Aérea da Índia afirmou ter atingido centros de radar e instalações militares paquistanesas. Quatro bases indianas sofreram “danos limitados”, segundo a comandante Vyomika Singh.
Ambos os países responsabilizam o outro pela escalada.
“São as ações do Paquistão que constituem provocação. A Índia respondeu de forma comedida”, disse o secretário de Relações Exteriores da Índia, Vikram Misri.
Reciprocidade
Apesar das trocas de mísseis, os dois lados afirmaram estar dispostos a interromper os ataques — desde que o outro também o faça.
“Nossa paciência chegou ao limite. Se eles pararem, também consideraremos parar”, afirmou o ministro paquistanês das Relações Exteriores, Mohammad Ishaq Dar.
Vyomika Singh reiterou a posição da Índia: “Estamos comprometidos com a não escalada, desde que o Paquistão retribua”.
A tensão cresceu após o atentado de 22 de abril na Caxemira indiana, que deixou 26 mortos, a maioria turistas hindus. A Índia atribuiu o ataque ao grupo jihadista Lashkar-e-Taiba (LeT), baseado no Paquistão. Islamabad negou envolvimento. O LeT é considerado organização terrorista pela ONU e esteve por trás dos atentados de Mumbai, em 2008.
Desde então, o confronto evoluiu para o mais grave em meio século, com trocas intensas de fogo, drones e mísseis.
Na última quarta-feira, a Índia bombardeou alvos em território paquistanês e na Caxemira sob controle de Islamabad. Um dia depois, afirmou ter interceptado ataques com drones em ao menos 12 cidades, incluindo Jammu.
Estados Unidos
Neste sábado, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, conversou por telefone com o general paquistanês Asim Munir e o chanceler indiano Subrahmanyam Jaishankar.
Rubio fez um apelo por “comunicação direta para evitar erros de cálculo” e ofereceu apoio americano a um possível processo de negociação.
Os ministros das Relações Exteriores do G7 também divulgaram uma nota pedindo “contenção máxima” e alertando para o risco de uma nova escalada militar.
“Pedimos uma desescalada imediata e encorajamos ambos os países a se engajarem em um diálogo direto para uma solução pacífica”, diz o comunicado.
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