Moraes fala em comunicação entre Bolsonaro e núcleo de fake news
Primeira Turma do STF julga se mais sete denunciados pela PGR se unirão aos 14 que já se tornaram réus por tentativa de golpe de Estado com Bolsonaro
O relator das investigações sobre a tentativa de se instaurar um golpe de Estado no Brasil, o ministro do STF Alexandre de Moraes, votou por aceitar a denúncia contra os sete integrantes do chamado núcleo das fake News.
Para ele, a Procuradoria-Geral da República (PGR) conseguiu descrever “satisfatoriamente os fatos típicos e ilícitos” e, ainda conforme Moraes, há uma ligação direta entre o ex-presidente Jair Bolsonaro, seus principais aliados e o chamado núcleo de “gerenciamento de ações”.
“Me parece aqui, com absoluta certeza, que para esse momento processual, a Procuradoria-Geral da República descreveu satisfatoriamente os fatos típicos e ilícitos. Descreveu satisfatoriamente todas as circunstâncias, todas as provas presentes na investigação realizada com extrema competência”, disse Moraes.
“Toda a estrutura do núcleo político — cuja denúncia já foi recebida — [vem] instrumentalizando suas ordens ao núcleo de desinformação, como narra a denúncia. A denúncia narra, de forma lógica, com provas suficientes da PGR e indícios razoáveis de autoria de Ailton [Barros, major do Exército]”, declarou o magistrado.
“É gravíssima a imputação feita pela Procuradoria Geral da República (PGR). Exatamente por isso, é importante analisar e colocar esse núcleo de produção de desinformação dentro do contexto da organização criminosa”, ainda acrescentou ele, ressaltando. “Não há dúvidas nesse primeiro momento de comunicação entre o núcleo 1 e o núcleo 4”.
“Propagaram notícias falsas”
Segundo a denúncia apresentada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet (à esquerda na foto), “eles propagaram notícias falsas sobre o processo eleitoral e realizaram ataques virtuais a instituições e autoridades que ameaçavam os interesses do grupo”.
“Todos estavam cientes do plano maior da organização e da eficácia de suas ações para a promoção de instabilidade social e consumação da ruptura institucional”, segue Gonet na denúncia.
“A natureza estável e permanente da organização criminosa é evidente em sua ação progressiva e coordenada, que se iniciou em julho de 2021 e se estendeu até janeiro de 2023. As práticas da
organização caracterizaram-se por uma série de atos dolosos ordenadas à abolição do Estado Democrático de Direito e à deposição do governo legitimamente eleito”, denunciou a PGR.
Crimes
Os cinco ministros da Primeira Turma do STF julgarão até terça-feira se os sete denunciados devem se tornar réus por cinco crimes: organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça, contra patrimônio da União e destruição de patrimônio tombado.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (1)
Angelo Sanchez
06.05.2025 18:20Continua o descrédito da Justiça que acaba desmoralizando o Estado Democrático, impondo penalidades sem provas a muitos que adentraram pacificamente em prédios públicos e não vandalizaram apenas para protestarem contra a eleição de um corrupto condenado.