Fundos de olho em nova faixa do Minha Casa Minha Vida
Empreendimentos para classe média com juros subsidiados podem se tornar produto vencedor em tempos de alta da SELIC
Grandes incorporadoras, que haviam começado o ano apreensivas por conta dos aumentos dos juros, passaram a ver um 2025 mais animador com o anúncio da injeção de 30 bilhões de reais para financiar uma nova faixa de imóveis do programa Minha Casa Minha Vida.
As regras do programa federal foram atualizadas para permitir o financiamento de unidades avaliadas em até 500 mil reais, e a meta até 2026 é contratar 2,5 milhões de unidades. A novidade já atraiu a atenção até de fundos imobiliários.
As faixas mais baixas do programa, destinadas às menores rendas, se tornaram problemáticas por diversas razões.
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Problemas
Os limites de valores dos imóveis e da renda das famílias não eram reajustados há tempo, o que impedia as construtoras de obter uma rentabilidade adequada e ao mesmo tempo oferecer imóveis que atendessem à demanda do mercado – principalmente nas regiões metropolitanas das grandes cidades, onde o valor do metro quadrado é muito mais alto.
O problema foi resolvido com a criação de uma nova faixa, o Grupo 4, com imóveis de até 500 mil reais, para famílias com renda de até 12 mil reais.
Assim, o MCMV – como é conhecido no mercado – passa a atender a classe média, o que é um atrativo para as incorporadoras. E também para uma parcela de consumidores que antes não se sentia atendida, já que nem podia adquirir um imóvel através do programa nem possuía renda suficiente para comprar um apartamento na planta nas regiões metropolitanas. Coincidentemente, os locais onde há maior déficit habitacional.
Esse público receberá subsídios menores que os aplicados às faixas inferiores, mas ainda assim pagará taxas de juros abaixo do mercado, na faixa de 10,5% ao ano.
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Mudança de perspectiva
Analistas avaliam que as grandes construtoras, principalmente aquelas listadas em bolsa, terão agora uma oportunidade justamente num ano que, em função do aumento das taxas de juros, não parecia tão promissor.
Tanto Cury e Direcional, que já possuem empreendimentos compatíveis com a nova faixa, como MRV, Tenda e Plano & Plano, que atendem fortemente os grupos mais populares, podem surfar essa onda. Quem também promete se tornar um novo player nesse mercado são os fundos imobiliários.
A Hedge Invest, por exemplo, lançou um FII voltado a habitações econômicas, que irá investir em sete empreendimentos do MCMV no estado de São Paulo.
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