Shopping centers ou parques temáticos?
Buscando rentabilidade, perfil dos shopping centers brasileiros aponta cada vez mais para lazer e entretenimento
A entrada de novas marcas nos shoppings brasileiros cresceu 33% no último trimestre de 2024, segundo dados da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce).
Foram 1.836 marcas iniciando operações nesse período, e o segmento que mais cresceu foi o de alimentação e bebidas, que representou 26% das inaugurações.
É mais um sintoma de que os hábitos de quem visita o shopping estão mudando. Segundo dados da Abrasce, menos da metade dos visitantes dos centros comerciais (44%) hoje vai com o objetivo de fazer compras.
Mas 100% dizem que, durante o passeio, vão comer alguma coisa na praça de alimentação ou nos restaurantes. Além disso, 97% frequentam atividades de lazer, como cinemas, parques, jogos eletrônicos ou atrações como boliche e pista de patinação.
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Pandemia
Desde a pandemia o comportamento médio do frequentador de shopping mudou. Diminuiu a quantidade de pessoas, mas o tempo médio de visita tem aumentado alguns minutos a cada ano.
Como já foi identificado em pesquisas nos EUA e na Ásia, é um comportamento que se aproxima cada vez mais do cliente de lazer e turismo. Como resultado desses novos hábitos, apesar da diminuição no número de visitantes, as receitas já ultrapassaram em 2024 o volume pré-pandemia.
Segundo dados da Abrasce, a área bruta locável dos shoppings (ABL) cresceu 8,3% desde 2020, mas o número de consumidores ainda é 5,2% menor e o faturamento do setor subiu apenas 2,9%.
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Não é que o negócio tenha deixado de valer a pena, apenas mudou de perfil. Para se adaptar a esse novo quadro, os administradores estão apostando na diversificação de operações, com ações online, mudanças no mix de lojas e a orientação para a criação de experiências.

Mudança de perfil
Um exemplo visível é a Allos (fruto da fusão da Alliansce Sonae e da BR Malls), a maior empresa de shoppings da América Latina, que passou a se definir como “a mais inovadora plataforma de entretenimento, lifestyle, serviços e compras”.
É uma mudança equivalente à das fabricantes de automóveis que recentemente passaram a se identificar como “empresas de mobilidade”. A Allos, que opera 56 empreendimentos, vendeu ou saiu da sociedade em 13 shoppings nos últimos anos, mas ainda assim faturou mais em 2024 do que em 2023.
Já a Replan, hoje administrada por ex-executivos da Allos, está fazendo investimentos em cidades médias do interior, onde detectou que existe demanda reprimida por shoppings de tamanho médio com o novo foco em lazer. Nessas regiões, os moradores às vezes precisam viajar até duas horas para chegar ao shopping mais próximo.
Integrado com as águas
Os novos empreendimentos incluem experiências ousadas, como o Boulevard Marina Itajaí (foto), no litoral de Santa Catarina, que tem um conceito arquitetônico “open”, integrado com as águas, buscando atrair os turistas da região.
Em outros países, a experimentação é cada vez mais radical, como no shopping Yaowang X27 Park, que funciona no extremo sul da China. Ele não tem quase nenhum cliente presencial, embora funcione 24 horas por dia e 7 dias por semana.
Ali, todas as lojas são uma mistura de estúdio com show room e são usadas por influenciadores para transmissões de live commerce. O empreendimento foi inaugurado no início de 2024 e já faturou o equivalente a 3,7 bilhões de reais, com apenas 1% de vendas presenciais.
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