Dennys Xavier na Crusoé: O escândalo e a lógica
Como o caso INSS ilustra uma tragédia coletivista
Em tempos de escândalos recorrentes nos organismos estatais – como o INSS brasileiro, alvo de fraudes, ineficiências e aparelhamentos –, o cidadão atento é frequentemente induzido ao espanto.
“Como é possível que tamanha desorganização, corrupção e desperdício se repitam sem fim?”
A resposta, embora desconcertante em sua simplicidade, já foi dada por Milton Friedman de forma lapidar: existem apenas quatro formas de se gastar dinheiro; algumas delas, dominantes na esfera pública, são estruturalmente irresponsáveis.
Eis os quatro modos de Friedman:
- Você gasta seu próprio dinheiro consigo mesmo. É o uso mais eficiente: você quer o melhor resultado com o menor custo.
- Você gasta seu dinheiro com os outros. Você ainda se importa com o custo, mas já não tanto com a qualidade do que é entregue.
- Você gasta o dinheiro dos outros consigo mesmo. A tendência é buscar o melhor para si, pouco se importando com o custo.
- Você gasta o dinheiro dos outros com os outros. A forma mais irresponsável: não há zelo nem pelo custo, nem pelo resultado.
A administração pública, especialmente em sistemas como o INSS, opera sistematicamente sob o quarto modo.
A elite burocrática gasta recursos que não lhe pertencem (arrecadados compulsoriamente dos contribuintes) em benefícios ou programas destinados a terceiros (os “segurados”).
Não há, portanto, incentivo real à economia, nem responsabilidade sobre os efeitos reais das decisões.
O escândalo do INSS, que envolve desde fraudes organizadas até pagamentos indevidos e benefícios sem lastro jurídico, não é uma exceção à regra do sistema: é sua consequência lógica.
Esse modelo permite e até estimula a criação de incentivos perversos. O gestor público, protegido por estabilidade, legisla e executa com o dinheiro alheio, frequentemente movido por interesses sindicais, eleitorais ou ideológicos.
O “beneficiário”, por sua vez, se acostuma à ideia de que “direitos” existem à margem de qualquer esforço ou reciprocidade; e…
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