George Santos pode pegar até 7 anos de prisão por fraude e roubo de identidade
Ex-deputado republicano, nascido no Brasil, será sentenciado nesta sexta-feira em Nova York por crimes cometidos durante campanha eleitoral
George Santos, ex-deputado federal pelo Partido Republicano dos Estados Unidos e nascido no Brasil, enfrenta uma sentença de até 87 meses de prisão — cerca de sete anos e três meses — por fraudes cometidas durante sua campanha ao Congresso em 2022.
A audiência de sentença está marcada para esta sexta-feira, 25 de abril, no tribunal federal de Central Islip, em Long Island, Nova York.
Aos 36 anos, Santos foi expulso da câmara em dezembro de 2023, após menos de um ano de mandato.
Na ocasião, ainda não havia sido condenado, mas já respondia a 23 acusações formais que incluíam fraude eletrônica, roubo de identidade, falsificação de registros e fraude com cartões de crédito.
Em agosto de 2024, Santos se declarou culpado de fraude eletrônica e roubo de identidade, como parte de um acordo judicial.
Ele admitiu ter enganado doadores e utilizado indevidamente identidades de pelo menos uma dúzia de pessoas, incluindo familiares, para financiar sua campanha. Também concordou em pagar aproximadamente 580 mil dólares em multas e restituições.
A promotoria federal solicitou a pena máxima prevista, sustentando que o ex-parlamentar continua demonstrando falta de arrependimento.
Os promotores anexaram à petição uma série de publicações recentes de Santos nas redes sociais, nas quais ele se apresenta como alvo de perseguição política. Em uma das mensagens, afirmou que “não importa o quanto o Departamento de Justiça venha atrás de mim, eles nunca quebrarão meu espírito”.
A defesa de Santos pede a pena mínima obrigatória de dois anos, argumentando que os crimes foram cometidos em um contexto de desespero e não de má-fé deliberada.
Seus advogados afirmam que a sentença requerida pela promotoria é desproporcional e citaram precedentes judiciais em que penas mais brandas foram aplicadas para delitos semelhantes.
Em carta endereçada à juíza responsável pelo caso, Joanna Seybert, Santos declarou estar “profundamente arrependido” por suas ações.
Ele também criticou a tentativa dos promotores de utilizar suas declarações públicas como prova de sua suposta falta de remorso, argumentando que “o verdadeiro arrependimento não é silencioso”.
Durante sua campanha de 2022, Santos fez diversas alegações falsas sobre sua trajetória pessoal, acadêmica e profissional.
Declarou ter estudado na Universidade de Nova York, além de ter trabalhado nos bancos Goldman Sachs e Citigroup — fatos que foram desmentidos posteriormente. Também afirmou que seus avós haviam fugido do nazismo na Segunda Guerra Mundial, o que não se confirmou.
Santos pediu à juíza para cumprir a pena em confinamento solitário, alegando temer por sua integridade física dentro do sistema prisional. Ele declarou ainda que não pretende solicitar um indulto presidencial.
A sentença final será anunciada ainda hoje.
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