De 2015 a 2025: a decadência moral das manifestações de rua
Parte da massa antipetista foi desviada do combate a problemas permanentes do Brasil
Em 2015, havia multidões nas ruas, sem líder político, para protestar contra corruptos, impunidade e crise econômica.
Dez anos depois, o bolsonarismo, que sabotou a Lava Jato e a CPI da Lava Toga para encobrir seus esquemas de “rachadinha”, quer o povo na rua em defesa do réu Jair Bolsonaro (à direita na foto), camuflada em pedido de anistia de aloprados do 8/1.
Parte da massa antipetista foi desviada do combate a problemas permanentes do Brasil, para o combate a problemas circunstanciais, gerados por um político do Centrão que jamais assume suas responsabilidades.
Ministros do STF
O apelo da propaganda bolsonarista, no entanto, é reforçado pela malícia e pela insensatez de ministros do STF, que turbinam desnecessariamente penas necessárias, fingindo defender a “democracia” que solapam por dentro: imiscuindo-se em outros Poderes, emplacando apaniguados em órgãos de fiscalização e outros tribunais, concentrando processos de pessoas sem foro privilegiado, julgando casos dos clientes de suas esposas, e protegendo acusados de crimes de colarinho branco com o “garantismo” agora faltante, transmutado em punitivismo seletivo.
A família Bolsonaro, que fez vista grossa a todas essas articulações enquanto se aproximava de Dias Toffoli e Gilmar Mendes para garantir a impunidade de Flávio (que ainda exaltou o “garantismo” do advogado de Lula, Cristiano Zanin, como “louvável em sua indicação” ao STF), hoje explora a indignação da sociedade simplesmente porque teme a prisão do “mito”, o então presidente que voou para a Flórida em vez de desmobilizar manifestantes pró-intervenção militar nos quartéis antes que aloprassem de vez com invasões e depredação.
Aplausos a Valdemar
Os atos de rua, outrora favoráveis à prisão de corruptos, chegaram ao cúmulo de incluir aplausos a Valdemar Costa Neto (à esquerda na foto), condenado pelo mensalão do PT, solto junto com José Dirceu por indulto de Natal de Dilma Rousseff, e atual dono do partido de Jair Bolsonaro.
Serão necessários vários ou muitos anos, provavelmente, para que a parte da massa antipetista instrumentalizada pelo bolsonarismo compreenda o buraco em que se meteu e, junto com a outra parte, volte a se mobilizar nas ruas contra problemas permanentes do Brasil, livre do comando interesseiro de seus usurpadores.
Até lá, claro, os mesmos Bolsonaro que amarelaram contra ministros do STF pela via constitucional do Senado, e os mesmos mercenários e parasitas de voto que acobertam a contribuição da família para o presente estado de coisas, afetarão valentia em carro de som.
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Comentários (2)
Fabio B
04.04.2025 14:53Análise perfeita! As primerias manifestações pelo impeachment eram do povo, representavam o Brasil e tinham uma pauta legítima contra a corrupção. Figuras como Valdemar e outros políticos oportunistas eram rechaçados de lá, nunca celebrados. O Bolsonaro sequestrou essas pautas e as destruiu, transformando tudo em um culto à própria imagem. Hoje, essas manifestações não passam de um nicho de adoradores do bolsonarismo, onde corruptos condenados, como o próprio Valdemar, são aplaudidos. É patético ver esse teatro repugnante, e é por isso que essas mobilizações perderam força e relevância. E tampouco o sistema se importa mais com elas, pois deixaram de representar a vontade do povo como um todo, e se tornaram hoje apenas um fã clube de político ladrão, onde os maluquinhos vão para demonstrar amor ao mito.
jni
04.04.2025 11:08Triste verdade