Transparência Internacional alerta para "opacidade" de emendas de comissão

01.11.2026

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Transparência Internacional alerta para “opacidade” de emendas de comissão
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Redação O Antagonista
6 minutos de leitura 13.03.2025 21:06 comentários
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Transparência Internacional alerta para “opacidade” de emendas de comissão

Para a ONG, a resolução "não atende às determinações" do STF e cria uma nova modalidade de "emenda secreta"

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Redação O Antagonista
6 minutos de leitura 13.03.2025 21:06 comentários 1
Transparência Internacional alerta para “opacidade” de emendas de comissão
Foto: Agência Câmara

A ONG Transparência Internacional – Brasil criticou o projeto de resolução aprovado nesta quinta-feira, 13, pelo Congresso Nacional para regulamentar o pagamento das emendas parlamentares, que ainda terão os autores das verbas de comissão mantidos sob sigilo.

Segundo a TI, a resolução “não atende às determinações” do Supremo Tribunal Federal e cria “uma nova modalidade de emenda secreta”.

“A Resolução aprovada hoje, dia 13 de março, pelo Congresso Nacional para regulamentar o processo de formulação das emendas parlamentares cria mais uma versão do orçamento secreto e o perpetua, em clara afronta aos princípios constitucionais da publicidade e da moralidade que orientam o processo orçamentário e às determinações do Supremo Tribunal Federal. O texto não atende ao plano de trabalho homologado pela Corte, nem aos interesses da sociedade”, diz trecho da nota publicada no X.

Na avaliação da ONG, a autoria de emendas coletivas também continua oculta sob a assinaturas de líderes partidários ou coordenadores de bancadas estaduais, “reproduzindo a dinâmica adotada com as emendas do relator entre 2019 a 2022.

A Transparência Internacional afirmou ainda não haver “regras claras sobre os processos decisórios” nas bancadas partidárias e estaduais, o que dificulta “o controle social sobre o processo orçamentário em afronta à Constituição”.

“Abre-se margem para que vontades individuais se sobreponham a decisões coletivas, de novo sem qualquer transparência ou necessidade de justificativa. Tanto as bancadas partidárias quanto as bancadas estaduais constituem espaços legítimos para a atuação parlamentar. Não contam, no entanto, com a institucionalidade necessária para permitir que a sociedade acompanhe e participe do seu funcionamento. Não há, por exemplo, regras claras sobre os processos decisórios em ambos os espaços, nem tampouco registros públicos das suas deliberações. Empoderar estas bancadas sem as devidas salvaguardas promove a opacidade e dificulta o controle social sobre o processo orçamentário em afronta à Constituição“.

Em 2024, foram reservados cerca de R$ 52 bilhões para emendas parlamentares, mas o pagamento desses recursos foi suspenso por um período, após o STF exigir mecanismos claros de identificação dos responsáveis pelas indicações.

Eis a íntegra da publicação da Transparência Internacional.

“A Resolução aprovada pelo Congresso Nacional não atende às determinações do Supremo e cria nova modalidade de emenda secreta.

A Resolução aprovada hoje, dia 13 de março, pelo Congresso Nacional para regulamentar o processo de formulação das emendas parlamentares cria mais uma versão do orçamento secreto e o perpetua, em clara afronta aos princípios constitucionais da publicidade e da moralidade que orientam o processo orçamentário e às determinações do Supremo Tribunal Federal. O texto não atende ao plano de trabalho homologado pela Corte, nem aos interesses da sociedade.

A autoria das proposições e indicações de emendas coletivas continuará, como é hoje, oculta sob a assinatura de apenas uma pessoa – o/a líder partidário ou o/a coordenador/a da bancada estadual -, reproduzindo a dinâmica adotada com as emendas do relator entre 2019 a 2022.

O cenário para as emendas de comissão é particularmente grave: sua indicação será feita por líderes partidários, após reunião com as respectivas bancadas. Cria-se, assim, uma modalidade de emenda não recepcionada pela Constituição Federal: a de bancada partidária. Além disso, o texto e o modelo de apresentação das decisões da bancada (anexo III) não exigem a identificação do parlamentar que patrocinou cada emenda.

No caso das emendas de bancada estadual, a resolução aproveita uma brecha deixada pela Lei Complementar nº 210/2024, que possibilita a divisão posterior das emendas aprovadas por meio de indicações (art. 2º, §4º). Não há exigência de identificação do parlamentar autor das indicações (anexo VIII), de modo que a autoria delas será atribuída ao coordenador da bancada do estado. Desta forma, não é possível fazer o controle social da proibição de individualização das emendas de bancada estadual, imposta pela Lei Complementar nº 210, de 2024 (art. 3º, §1º).

Em ambos os casos, a Resolução permite que presidentes das comissões e coordenadores de bancadas estaduais alterem as indicações “caso necessário” (art. 45-A, §3º e art. 48-A, §3º), sem definir ou limitar o que configuraria tal necessidade.

Abre-se margem para que vontades individuais se sobreponham a decisões coletivas, de novo sem qualquer transparência ou necessidade de justificativa. Tanto as bancadas partidárias quanto as bancadas estaduais constituem espaços legítimos para a atuação parlamentar. Não contam, no entanto, com a institucionalidade necessária para permitir que a sociedade acompanhe e participe do seu funcionamento. Não há, por exemplo, regras claras sobre os processos decisórios em ambos os espaços, nem tampouco registros públicos das suas deliberações. Empoderar estas bancadas sem as devidas salvaguardas promove a opacidade e dificulta o controle social sobre o processo orçamentário em afronta à Constituição.

Ao aprovar o texto da Resolução, o Congresso menosprezou mais uma vez a vontade e as demandas da sociedade, em evidente desrespeito às determinações do Supremo Tribunal Federal para que seja assegurada plena transparência e rastreabilidade ao processo orçamentário”.

Mudanças

Entre as novidades estão os novos modelos de atas, que devem detalhar o processo de análise e aprovação das emendas, tanto nas comissões quanto nas bancadas estaduais. No entanto, críticos apontam que, apesar dessas mudanças, ainda existem brechas que podem dificultar a plena identificação dos parlamentares responsáveis pelas emendas, o que pode comprometer a transparência do processo, de acordo com especialistas.

Acompanhado de perto, esse processo busca garantir que as novas regras atendam aos princípios de transparência e legalidade, mas ainda há desafios para que a total rastreabilidade das emendas seja efetivamente alcançada.

Leia mais: “Congresso dribla o STF de novo e mantém sigilo a autores de emendas de comissão”

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Comentários (1)

Osmair Mendonça

14.03.2025 00:41

Nada do que é feito pelos 3 poderes em Brasília tem como objetivo melhorar a vida dos cidadãos! É tudo para ganhar no particular. Brasil é um caso perdido. Foi colônia de Portugal. Hoje, colônia de Brasília.


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