Anac anuncia suspensão imediata dos voos da Voepass
Em caráter cautelar, a suspensão vigorará até que "se comprove a correção de não conformidades relacionadas aos sistemas de gestão da empresa previstos em regulamentos"
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) anunciou nesta terça-feira, 11, a suspensão imediata dos voos da companhia aérea Voepass em “caráter cautelar”.
A suspensão vigorará até que “se comprove a correção de não conformidades relacionadas aos sistemas de gestão da empresa previstos em regulamentos”, informou a Anac.
Com seis aeronaves, a operação da companhia aérea inclui 15 localidades com voos comerciais e duas com contratos de fretamento.
Segundo a agência, a decisão decorre da incapacidade da Voepass em “solucionar irregularidades identificadas no curso da supervisão realizada pela agência, bem como da violação das condicionantes estabelecidas anteriormente para a continuidade da operação dentro dos padrões de segurança exigidos”.
Os passageiros atingidos pelo cancelamento deverão procurar a Voepass ou agência de viagem responsável pela venda do bilhete para obter reembolso ou ser realocado em voos de outras companhias.
Queda de avião em Vinhedo (SP)
O voo 2283 da Voepass, que fazia a rota entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP), caiu em Vinhedo, no interior de São Paulo, em 9 de agosto de 2024, provocando a morte das 62 pessoas que estavam a bordo.
O desastre aéreo foi o mais letal do país desde 2007, quando um acidente com o voo 3504 da TAM deixou 199 mortos.
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Operação assistida na Voepass
Com o acidente, a Anac iniciou uma operação assistida de fiscalização nas instalações da Voepass.
“Servidores da Agência estiveram presentes nas bases de operação e manutenção da empresa para verificar as condições necessárias para a garantia do nível adequado de segurança das operações”, informou a agência.
Em outubro de 2024, a Anac exigiu da Voepass medidas como redução da malha, aumento do tempo de solo das aeronaves com vistas à manutenção, troca de administradores e execução do plano de ações para as correções das irregularidades.
Após nova rodada de auditorias em fevereiro de 2025, foi identificada “a degradação da eficiência do sistema de gestão da empresa em relação às atividades monitoradas e o descumprimento sistemático das exigências feitas pela Agência”.
Reincidência de irregularidades
Também foi constatada a reincidência de irregularidades apontadas e consideradas sanadas pela agência nas ações de vigilância e a falta de efetividade do plano de ações corretivas.
“Ocorreu, assim, uma quebra de confiança em relação aos processos internos da empresa devido a evidências de que os sistemas da Voepass perderam a capacidade de dar respostas à identificação e correção de riscos da operação aérea”, afirmou a Anac.
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