Mais de mil mortos na Síria em ofensiva contra alauítas
Imagens obtidas pela agência Reuters mostram dezenas de corpos espalhados pelas ruas de Latakia
Organizações de direitos humanos denunciam um massacre contra a minoria alauíta na Síria, atribuído às forças de segurança do novo governo do país. A Federação de Alauítas na Europa fala em “limpeza étnica sistemática” na região.
Os confrontos começaram na quinta-feira, 6, quando tropas do Exército sírio foram atacadas em Latakia, segundo o governo. Dezesseis militares morreram. O regime respondeu com uma ampla mobilização de tropas.
O Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH) estima que mais de 1.000 pessoas foram mortas desde então, incluindo 750 civis. Imagens obtidas pela agência Reuters mostram dezenas de corpos espalhados pelas ruas de Latakia.
O novo governo sírio, liderado por Ahmad al-Sharaa, antigo comandante do grupo jihadista Hayat Tahrir al-Sham (HTS), acusa remanescentes do regime de Bashar al-Assad de tentar desestabilizar o país. Al-Sharaa prometeu levar os responsáveis à Justiça.
A minoria alauíta, ligada à família Assad, governou a Síria por mais de cinco décadas. O ex-ditador Bashar al-Assad foi deposto em dezembro após uma ofensiva de 11 dias conduzida pelo HTS. Desde então, as tensões aumentaram na região costeira, onde muitos alauítas vivem.
Segundo o OSDH, a repressão contra os alauítas tem caráter religioso e há relatos de execuções sumárias e saques. Entre os mortos, estariam 745 civis, 125 membros das forças de segurança sírias e 148 combatentes pró-Assad.
Depoimentos de crimes contra alauítas se multiplicam nas redes sociais, mas são de difícil verificação independente. Vídeos divulgados por ONGs mostram corpos empilhados e familiares em desespero.
O novo presidente sírio tenta se posicionar como líder de um governo inclusivo, mas analistas apontam que boa parte da autoridade está nas mãos de jihadistas radicais. “Eles consideram os alauítas inimigos de Deus”, afirma Aron Lund, do think tank Century International.
Israel acusa de “massacre”
O ministro da Defesa, Israel Katz, culpou o presidente interino da Síria, Ahmed al-Shaara, também conhecido como al-Jolani quando lidera o Hay’at Tharir al-Sham (HTS), pelas execuções.
“Al-jolani tirou sua galabiya [roupa árabe tradicional], vestiu um terno e apresentou uma fachada moderada. Agora, ele tirou a máscara, revelando seu verdadeiro rosto: o de um terrorista jihadista da escola da Al Qaeda que comete atrocidades contra a população civil alauita“, disse.
Katz fez menção à troca de vestimentas de Jolani, que abandonou a roupa de guerra e passou a usar ternos para representar a Síria como o novo presidente.
Segundo o ministro, Israel vai “se defender contra qualquer ameaça” e protegerá as comunidades das Colinas de Golã e Galileia.
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