Humberto Costa assume comando interino do PT
A indicação de Gleisi Hoffmann para a articulação política antecipou uma série de movimentações pelo controle da legenda e sua representação no Congresso
O senador Humberto Costa foi escolhido, por consenso, pela cúpula do PT para assumir a presidência interina do partido, após o afastamento de Gleisi Hoffmann, que se prepara para ocupar a Secretaria de Relações Institucionais do governo Lula.
Costa, que comandará a legenda de forma temporária, terá um período de 60 dias para convocar novas eleições internas e eleger um sucessor para o cargo, com a perspectiva de que o PT defina seu novo líder até julho, quando ocorrerão novas eleições no partido.
Disputa interna
O nome de Costa foi o escolhido após uma disputa interna que também envolveu o atual líder do governo na Câmara dos Deputados, José Guimarães (CE).
A indicação de Gleisi para a articulação política antecipou uma série de movimentações pelo controle da legenda, que passará por eleições internas diretas neste ano. Ao assumir o posto interino, Costa passa a representar o grupo político alinhado a Gleisi e buscará consolidar sua permanência à frente do partido.
Mira no centrão
Como mostramos, Gleisi Hoffmann deve adotar como primeira medida a indicação de um deputado do centro para assumir a liderança do governo na Câmara dos Deputados. Entre os nomes cogitados estão Isnaldo Bulhões (MDB-AL), Antonio Brito (PSD-BA) e Aguinaldo Ribeiro (PP-PB).
A nomeação de Gleisi para a Secretaria de Relações Institucionais gerou forte reação da oposição e alimentou interpretações de que Lula busca consolidar um governo mais fechado, fazendo um aceno direto à sua base política.
Reunião com Lula
Em uma conversa com o presidente Lula na última sexta-feira, Gleisi Hoffmann e Alexandre Padilha, que vai assumir a Saúde, defenderam a necessidade de um deputado de partido aliado para liderar o governo na Câmara.
Segundo interlocutores, o presidente chegou a questionar se um nome do PT não poderia ocupar a função, mas a dupla argumentou que a escolha de um parlamentar de outra sigla facilitaria a articulação com os deputados, crucial para a governabilidade no Congresso.
Rejeição a Gleisi
Diante da insatisfação gerada pela escolha de Gleisi Hoffmann para a articulação política — uma figura controversa — surgem dúvidas sobre a disposição de um líder do Centrão em aceitar a missão de defender o governo perante os deputados.
Guimarães na berlinda
Um dos impasses que permeiam a conjuntura atual é o ressentimento do Centrão, que pediu a nomeação de Isnaldo Bulhões para a Secretaria de Relações Institucionais. A busca por Bulhões para substituir o petista José Guimarães pode ser interpretada como um prêmio de consolação, em meio à insatisfação com a escolha de Gleisi Hoffmann para a articulação política.
A liderança do governo na Câmara dos Deputados está atualmente sob responsabilidade do deputado José Guimarães (PT-CE). Cotado para comandar a Secretaria de Relações Institucionais, o nome do parlamentar perdeu força após ser citado em uma investigação sobre desvio de emendas. Fontes próximas ao governo afirmam que o episódio praticamente eliminou suas chances de assumir o ministério e deve levá-lo, também, a ser destituído da liderança.
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Comentários (1)
CLAUDIO NAVES
07.03.2025 15:36Um Certo Bosta ?