Romênia acusa simpatizantes da Rússia de tentativa de golpe
Uma organização está sendo investigada por planejar um golpe de Estado na Romênia, envolvendo contatos com a Rússia
Uma organização está sendo investigada por planejar um golpe de Estado na Romênia, envolvendo contatos com a Rússia. Este episódio ocorre em um momento de deterioração acentuada nas relações entre Moscou e Bucareste.
A discussão sobre a anulação das eleições presidenciais tem dominado o cenário político romeno há meses. Em dezembro, o Tribunal Constitucional do país decidiu invalidar a primeira rodada das votações, alegando interferência externa, referindo-se especificamente à Rússia.
A eleição presidencial de 2024 na Romênia foi marcada por alegações de interferência estrangeira, especialmente da Rússia. No primeiro turno, realizado em novembro de 2024, o candidato nacionalista e pró-Rússia, Călin Georgescu, obteve uma vitória surpreendente.
No entanto, surgiram acusações de manipulação eleitoral, incluindo financiamento ilícito e campanhas irregulares nas redes sociais, particularmente no TikTok. Investigações revelaram que Georgescu teria recebido apoio de fontes russas para influenciar o resultado eleitoral.
Diante dessas evidências, o Tribunal Constitucional da Romênia anulou os resultados do primeiro turno em dezembro de 2024, citando interferência estrangeira significativa que comprometeu a integridade do processo eleitoral. A decisão levou à necessidade de novas eleições, inicialmente previstas para maio de 2025.
A recente operação policial contra um grupo conspiratório obscuro lança luz sobre as tentativas de influência russa nesse Estado membro da Otan.
A Romênia possui uma significativa importância estratégica para a aliança ocidental, especialmente por sua extensa fronteira com a Ucrânia e sua proximidade ao Mar Negro.
Conspiração pró-Rússia
A Procuradoria Especializada em Crimes organizados e Terrorismo da Romênia (DIICOT) divulgou na quinta-feira, 6 de março, que foram realizadas buscas em todo o país e seis pessoas foram presas sob acusação de traição.
Estas pessoas são acusadas de formar uma organização com a finalidade de subverter a soberania e independência do estado, além de enfraquecer sua capacidade defensiva.
Segundo informações da DIICOT, os detidos mantinham contato com agentes estrangeiros durante suas atividades na Romênia e em viagens à Rússia.
As discussões teriam incluído temas como a tomada do poder, alterações na constituição e nos símbolos do estado, além do possível abandono da Otan.
No entanto, detalhes sobre o progresso dessas supostas intenções e a real ameaça que o grupo representava ainda não foram tornados públicos.
Comando Vlad o Empalador
A organização em questão é conhecida como Comando Vlad o Empalador, cuja figura histórica é associada ao príncipe Vlad Draculea Tepes, famoso por sua luta contra os otomanos. Esta imagem é amplamente reconhecida internacionalmente através da lenda de Drácula, mas para muitos romenos representa um ícone de resistência.
O Comando faz parte da organização Opus Nostrum, que defende uma visão revisionista da história e questiona a legitimidade do moderno estado romeno e de seu governo.
Fundada pelo general aposentado da força aérea Radu Theodoru, a Opus Nostrum possui conexões com movimentos ultranacionalistas no país. Theodoru é autor de várias publicações que propagam teorias conspiratórias antissemitas e exaltam movimentos fascistas.
Romênia entre Rússia e União Europeia
O serviço secreto exterior russo afirmou que a anulação da eleição ocorreu sob pressão da União Europeia.
O ministério romeno reagiu considerando tais alegações absurdas. O aumento da tensão levou à expulsão dos diplomatas russos e à operação policial contra o Comando Vlad.
Călin Georgescu se manifestou através de um vídeo dramático dirigido aos seus apoiadores, alegando que “o sistema” estava fazendo tudo para impedir sua candidatura.
Ele conclamou os romenos a lutar pela liberdade do país. “Romeno, desperte! Agora ou nunca!” declarou ele durante sua mensagem.
Em meio ao apoio russo recebido por Georgescu, ele enfrentou um revés significativo quando o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos rejeitou sua ação contra a anulação das eleições como inadmissível.
Leia também: Putin pode avançar para Moldávia e Romênia se não for contido, diz Macron
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Comentários (1)
Ariadne
06.03.2025 15:37O ditador russo e seus tentáculos espalhando mais pacotes de maldades....