Crusoé: Por que Erdogan e terroristas curdos podem fazer as pazes
Abdullah Ocalan pediu que o PKK entregue as armas. Acordo de paz pode estar sendo feito nos bastidores e terá repercussão na Síria
O grupo terrorista turco Partido dos Trabalhadores do Curdistão (conhecido como PKK) anunciou um cessar-fogo no sábado, 1º de março.
A declaração é histórica, porque pode acabar com um conflito que já dura 40 anos e matou cerca de 40 mil pessoas.
Se conseguir a paz com o PKK, o presidente turco, Recep Erdogan (foto) terá um enorme trunfo nas mãos, pois eliminará um inimigo poderoso e ainda ganhará a aprovação de grande parte da população turca.
Estado curdo independente
O PKK surgiu em 1978 para lutar por um Estado curdo independente.
Os curdos são uma etnia que habita o sul e o leste da Turquia, o norte do Iraque, o oeste do Irã e o norte da Síria, mas que em nenhum desses quatro países tem um governo próprio, curdo.
O PKK é considerado como grupo terrorista pelos Estados Unidos, pela União Europeia e pela Turquia pelos ataques a militares, policiais e até mesmo a escolas.
Ocalan
Dois motivos explicam a aproximação entre o PKK e o governo turco.
O primeiro é a vontade de Abudllah Ocalan, líder do PKK, que está preso em uma ilha, ganhar a liberdade.
Ele tinha sido condenado a prisão perpétua, mas algum acordo parece estar sendo gestado nos bastidores para que ele, que está com 75 anos, possa deixar a prisão.
Ocalan foi preso em 1999 e já completou 26 anos atrás das grades.
“Estou fazendo um apelo à deposição de armas e assumo a responsabilidade histórica desse apelo”, disse Ocalan em uma declaração pública.
“Todos os grupos devem depor as armas e o PKK deve se dissolver”, afirmou Ocalan.
Foi uma mensagem poderosa.
Ocalan é um líder carismático que exerce um enorme influência entre os curdos mais radicais.
Próximas eleições
O segundo motivo que explica a aproximação é o cálculo eleitoral de Erdogan, que pensa em ficar no poder indefinidamente.
Erdogan está…
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