Crusoé: Reforma de fachada
Mudanças na Esplanada dos Ministérios não devem melhorar a articulação política do Planalto com o Congresso
Lula vive hoje um inferno astral. As principais pesquisas de opinião mostram que a popularidade do presidente simplesmente derreteu nos últimos três meses.
A pesquisa CNT/MDA mostra que a avaliação negativa sobre o governo do petista subiu de 31% para 44% desde novembro; a avaliação positiva caiu de 35% para 29%, e a avaliação regular foi de 32% para 26%.
A Genial/ Quaest apontou nesta semana uma tendência no mesmo sentido.
Sem conseguir apresentar um único projeto para chamar de seu, Lula acredita que sairá do buraco reciclando políticas públicas já manjadas pelo cidadão brasileiro, como a concessão de auxílios – como o programa Pé de Meia, do Ministério da Educação – ou reciclando estratégias políticas, como uma ampla reforma ministerial.
Lula começou nesta semana a desencadear uma mudança substancial em seus auxiliares com o único objetivo de sair do buraco.
Freio de arrumação
A tática não é nova. Nem mesmo o modo como o petista pretende executá-la.
Em 2005, no ápice da crise do mensalão, Lula — que tinha o pior nível de aprovação desde a primeira posse — apostou em uma reforma ministerial a conta-gotas para sair do atoleiro.
Naquele ano, porém, o estratagema deu certo e o petista conseguiu se reeleger um ano depois.
Entre 2005 e 2006, Lula usou o fato de que alguns de seus ministros deveriam deixar os cargos para disputar as eleições gerais para dar um freio de arrumação na Esplanada dos Ministérios.
Mas, na prática, a ideia do governo era tentar reduzir a sensação de leniência com a corrupção.
Lula exonerou, na época, Romero Jucá, então ministro da Previdência Social, acusado na época de participar de um esquema de desvio de dinheiro público; também caíram nomes como Aldo Rebelo e o finado Eduardo Campos.
Outra mudança, como nos tempos atuais, ocorreu na Secretaria de Comunicação da Presidência, a Secom.
Se, por um lado, o então ministro Luiz Gushiken…
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