Principal associação de psicologia do mundo é acusada de ódio contra judeus
Carta assinada por mais de 3.500 profissionais acusa a American Psychological Association de tolerar discurso de ódio contra judeu
A American Psychological Association (APA), maior entidade da psicologia mundial, está no centro de um escândalo.
Mais de 3.500 profissionais de saúde mental assinaram uma carta acusando a organização de permitir a disseminação de “antissemitismo virulento” em seus fóruns e eventos, silenciando psicólogos judeus e promovendo discursos de ódio contra Israel.
O documento foi entregue à presidente da entidade, Debra Kawahara, e aos 15 membros do conselho, exigindo uma resposta imediata.
A denúncia afirma que membros judeus da APA têm sido assediados, marginalizados e impedidos de se manifestar em espaços internos da entidade.
Entre os exemplos citados, estão debates em fóruns oficiais nos quais se exaltou o grupo terrorista Hamas, além de palestras com oradores que relativizaram a violência contra judeus e minimizaram o Holocausto.
Um dos principais nomes mencionados na denúncia é Lara Sheehi, ex-presidente da Sociedade de Psicanálise e Psicologia Psicanalítica da APA. Sheehi, que agora vive no Catar, chamou o sionismo de “psicose colonialista”, insultou israelenses como “genocidas” e já defendeu a destruição do Estado de Israel.
Seu comportamento resultou em uma queixa formal junto ao Departamento de Educação dos EUA contra a universidade onde lecionava, mas a APA se manteve em silêncio.
A trágica ironia dessa situação é que a psicologia moderna foi criada por um judeu, Sigmund Freud, e é indissociável do pensamento judaico.
Grandes nomes da área, como Viktor Frankl, criador da logoterapia e sobrevivente do Holocausto, Abraham Maslow, Erich Fromm e Bruno Bettelheim, moldaram a disciplina com base em conceitos fundamentais da tradição judaica, como a busca pelo sentido da vida, o valor da liberdade e a resiliência diante da adversidade.
Apesar da gravidade das acusações, a APA se limitou a uma resposta genérica. Em nota ao jornal The Free Press, um porta-voz da organização afirmou que a entidade “repudia o ódio e a discriminação em todas as formas”, sem abordar diretamente as denúncias. Kawahara e Sheehi não responderam aos pedidos de comentário.
Os signatários da carta destacam que a APA tem se posicionado rapidamente sobre outras causas, como a guerra na Ucrânia e o combate ao racismo, mas se mantém omissa em relação ao aumento de 500% nos ataques contra judeus nos EUA desde outubro de 2023.
Steven Pinker e Jonathan Haidt, dois dos mais renomados psicólogos contemporâneos, renunciaram à APA nos últimos anos, denunciando a guinada política da entidade.
“A APA está sendo arruinada por extremistas iliberais”, afirmou Pinker. Haidt, por sua vez, disse que gostaria de ter a chance de renunciar novamente.
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