Haddad acusa Globo de produzir fake news bolsonarista no Jornal Nacional
Se até a Globo está sendo acusada de fake news bolsonarista, podemos concluir que o desespero dentro do governo atingiu níveis inéditos
Fernando Haddad está atravessando um momento peculiar no governo. Depois de uma série de tropeços na comunicação do Ministério da Fazenda, ele decidiu dobrar a aposta e acusar ninguém menos que a Rede Globo de espalhar fake news bolsonarista. Sim, a mesma Globo que tem sido acusada de adesismo ao governo e que, dia após dia, protagoniza espetáculos de jornalismo suicida para defender Lula. Bastou uma manchete incômoda para que Haddad resolvesse colocar a emissora no banco dos réus.
O motivo? A cobertura do Jornal Nacional sobre o aumento do valor do carnê da MEI. O governo não aumentou a alíquota do imposto, mas como a contribuição da MEI é calculada com base no salário mínimo, que subiu, o valor do carnê veio mais alto. Um fato simples, objetivo e fácil de explicar.
O problema é que, ao invés de esclarecer, Haddad resolveu apelar para a vitimização e gritar “fake news bolsonarista”. A estratégia é curiosa, porque ninguém em sã consciência, nem dentro da própria bolha governista, vai acreditar que William Bonner se tornou um agente do bolsonarismo.
Já é a terceira vez que o ministro age da mesma forma diante de medidas impopulares. A primeira foi com a “taxa das blusinhas”, que acabou penalizando pequenos comerciantes e consumidores comuns, enquanto grandes varejistas ampliaram seus lucros. Depois veio o escândalo da “crise do Pix”, onde o governo acusou opositores de espalharem fake news sobre taxas que poderiam ser cobradas sobre transações. O resultado? O Pix e a taxa das blusinhas figuram entre as medidas mais impopulares do governo, segundo pesquisas recentes.
Agora, para fechar a trilogia, Haddad volta a chamar de fake news uma informação verídica e verificável. Como se não bastasse, escolheu brigar com uma emissora que, até agora, tem sido aliada incontestável do governo. O que nos leva a um questionamento inevitável: qual a lógica por trás dessa estratégia? Ou Haddad é um infiltrado do bolsonarismo querendo sabotar o próprio governo, ou há algo na água do Palácio do Planalto que afeta o discernimento dos ministros.
Há um detalhe importante nessa história que passa despercebido por muita gente: a confusão proposital entre os conceitos de fake news e mentira. Fake news não precisa ser uma mentira. Muitas vezes, é apenas uma manipulação do contexto. É possível contar fake news usando apenas verdades selecionadas e omitindo informações essenciais. Esse jogo semântico serve a um propósito maligno: transformar a mentira em crime. Se todo mundo mente em algum momento, e fake news for sinônimo de mentira, qualquer pessoa pode ser criminalizada ao bel-prazer do governo.
Essa manipulação é sorrateira e tem um objetivo claro: permitir que o governo escolha quem será punido. Uma espécie de censura seletiva, onde quem incomoda é rotulado como criminoso e pode ser perseguido judicialmente.
O que nos resta, diante desse cenário, é recusar a manipulação e exigir que o governo se responsabilize por suas decisões. Fake news existem, mas não é qualquer notícia incômoda ao governo que se enquadra nessa categoria. E, definitivamente, não é o caso do carnê da MEI. Se até a Globo está sendo acusada de fake news bolsonarista, podemos concluir que o desespero dentro do governo atingiu níveis inéditos.
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Comentários (1)
Marcilio Monteiro De Souza
27.02.2025 10:36Até a globo? Quem diria. todo castigo pra puxa saco é pouco.