Livro de Julianne Moore removido de escolas administradas pelo Pentágono
No Brasil, o livro infantil de Moore foi traduzido pela atriz vencedora do globo de ouro, Fernanda Torres, sob o título de “Morango Sardento”
Enquanto o vice-presidente americano J. D. Vance critica o que considera um retrocesso na liberdade de expressão na Europa, sua administração suspendeu o acesso a 160 bibliotecas escolares por um período de uma semana.
Este tempo foi necessário para que o Departamento de Defesa realizasse uma revisão minuciosa das obras disponíveis nas escolas administradas pelo Pentágono, a fim de identificar livros que pudessem estar associados à ideologia de gênero ou a temas considerados discriminatórios.
Esta ação foi comunicada aos pais em um ofício datado de 10 de fevereiro. Após a revisão, as bibliotecas foram reabertas, mas muitos títulos foram retirados das prateleiras.
O livro proibido de Julianne Moore
De acordo com diversos veículos de comunicação dos EUA, dezenas de livros foram removidos para revisão adicional ou banimento definitivo.
Entre esses títulos está o livro infantil sobre uma menina de sete anos com sardas, escrito por Julianne Moore.
Em um post no Instagram, a atriz expressou sua indignação: “Nunca imaginei passar por isso em um país onde a liberdade de expressão é um direito constitucional”.
A censura afetou as bibliotecas das escolas operadas pelo Pentágono em sete estados americanos e em onze países, atingindo aproximadamente 67 mil crianças e adolescentes do ensino infantil até a 12ª série.
“Morango sardento”
O livro “Freckleface Strawberry” narra a história autobiográfica de uma menina ruiva que se sente envergonhada por suas muitas sardas. No Brasil, ele foi traduzido pela atriz vencedora do globo de ouro, Fernanda Torres, sob o título de “Morango Sardento”
Ela enfrenta bullying devido à sua aparência diferente, mas eventualmente aprende a aceitar sua singularidade como parte do que a torna especial.
Moore destacou que essa situação afeta especialmente as crianças de famílias militares, dado que ela mesma é filha de um veterano e frequentou uma escola sob a administração do Pentágono.
A atriz Halle Berry comentou sobre o assunto em apoio a Moore, afirmando: “Isso é aterrorizante! Sinto muito que isso esteja acontecendo!” Enquanto Bella Thorne expressou surpresa: “Uau, isso é loucura.”
Alexandra Billings fez um comentário sarcástico: “Parece que você está fazendo algo certo, amiga.” E Michelle Pfeiffer questionou: “Onde conseguimos esse livro?”
Livros banidos?
Apenas especialistas designados terão acesso aos livros removidos para determinar quais retornarão às prateleiras e quais serão excluídos permanentemente.
A PEN America se manifestou sobre o ocorrido: “A exclusão desses títulos é mais um indicativo da abordagem imprudente e autoritária da nova administração em relação à educação” .
Pouco antes da remoção dos livros das escolas do Pentágono, o governo Trump declarou que os chamados “book bans”, ou proibições literárias, amplamente criticados nos últimos anos, especialmente na Flórida, nunca ocorreram.
Segundo eles, isso seria apenas uma estratégia para desacreditar os republicanos por parte da administração Biden.
Um dos livros frequentemente mencionado nas listas proibidas é “O Conto da Aia”, de Margaret Atwood.
A narrativa se passa em uma teocracia distópica composta por alguns estados americanos onde não apenas os livros foram banidos da vida cotidiana, mas também há proibição ao aprendizado da leitura e escrita pela população geral. Essa medida visa proteger a elite governante contra rebeliões e assegurar seu poder.
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