Ibaneis apela para ofício para conseguir um espaço na agenda de Lula
Sem uma interlocução clara do Palácio do Planalto com integrantes da oposição, o governador foi obrigado a adotar um expediente típico de sindicatos
Sem uma interlocução clara do Palácio do Planalto com integrantes da oposição, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, viu-se obrigado a enviar um ofício ao presidente Lula solicitando um espaço na agenda do presidente da República para discutir a recomposição salarial das forças policiais do Distrito Federal.
No ofício, obtido em primeira-mão por O Antagonista, Ibaneis fala o seguinte:
“Cumprimentando-o cordialmente, dirijo-me a Vossa Excelência a fim de solicitar o agendamento de audiência, a ser realizada em data conforme sua disponibilidade, destinada a tratar do encaminhamento da proposta de recomposição salarial das forças do Distrito Federal”, diz o governador do DF.
A adoção desse tipo de expediente é pouco usual já que normalmente esses assuntos são tratados por meio de interlocutores do presidente como, por exemplo, o ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, ou o ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha. Em casos normais, quem adota esse tipo de postura são entidades de menor expressão como sindicatos de classe, por exemplo.
Em dezembro do ano passado, o governador do Distrito Federal foi um dos principais críticos do decreto sobre o uso da força policial assinado pelo presidente Lula e o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski.
Ele considera que o decreto viola o artigo 144 da Constituição Federal, que estabelece as instâncias responsáveis pela segurança pública no Brasil.
“Interferência total. Uma pena que o governo federal, ou melhor, o presidente Lula não saiba seu espaço. Quem faz segurança pública são os estados”, disse o governador em entrevista à CNN.
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Ibaneis X Lula
Ibaneis ocupa hoje um oposto às posições do presidente no debate público.
Por ocasião da inclusão do fundo constitucional do DF na proposta de ajuste fiscal do governo, o Ibaneis fez discurso com ênfase impacto financeiro para a segurança pública.
“Acho que o ministro Haddad não vê o que está acontecendo em São Paulo, no Rio de Janeiro e no Nordeste. Ele quer que no DF a gente também tenha uma polícia desaparelhada. Dessa vez, o ataque ao nosso Fundo Constitucional tem endereço certo, é a turma do PT que não gosta dessa cidade e tem ódio do DF”, declarou Ibaneis durante um discurso na inauguração da nova sede do Instituto de Medicina Legal (IML). A mudança no fundo constitucional foi retirada do texto pelo Congresso Nacional.
Leia o documento na íntegra
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