Lula em baixa, Tarcísio em alta
Enfraquecimento do petista alimenta expectativa de que o governador de São Paulo, favorito à reeleição, possa disputar Presidência da República já em 2026
Lula atingiu, no início de seu terceiro ano de governo, o pior índice de aprovação de seus três mandatos presidenciais. E as perspectivas para o restante do mandato não são animadoras, pois o governo já gastou até o que não tinha nos dois primeiros anos e, agora, enfrenta as consequências da inflação e dos juros altos sem ter colhido popularidade.
A debilidade política do petista anima a oposição, que ainda tenta livrar Jair Bolsonaro da inelegibilidade decretada até 2030 e da provável condenação por tentativa de golpe de Estado. Enquanto isso, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos, foto), vai ganhando espaço como alternativa presidencial a Bolsonaro quase sem se mexer.
Ao contrário do influenciador Pablo Marçal (PRTB) e mesmo do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que deram sinais de interesse de disputar a presidência em 2026, o governador de São Paulo nega repetidamente a intenção de concorrer ao Palácio do Planalto.
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Fator Lula
Seu secretário de Governo, Gilberto Kassab, que preside o PSD e é tido como um dos maiores articuladores políticos do Brasil atualmente, reforça o coro, dizendo que a candidatura presidencial de Tarcísio é para 2030. Mas tudo mudaria caso Lula abrisse mão de tentar a reeleição, e esse cenário vai ficando mais próximo a cada pesquisa de popularidade.
Enquanto o petista amarga quedas sucessivas na aprovação, Tarcísio não apenas é bem avaliado pelos eleitores de São Paulo, como, a dois anos da eleição, é franco favorito a conseguir um segundo mandato. Pesquisa Real Time Big Data indicou que ele bateria facilmente até o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), quatro vezes governador de São Paulo.
Para realmente se transformar na aposta da direita caso Bolsonaro não consiga se livrar dos entraves judiciais, Tarcísio terá de permanecer exatamente como está, parado, até 2026.
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Duas canoas
Qualquer movimento seu de aceno a uma candidatura ao Palácio do Planalto pode acabar o empurrando para o grupo de inimigos do bolsonarismo, que é onde foram parar todos aqueles que ousaram questionar Bolsonaro — até o senador Sergio Moro (União-PR), que conseguiu se reencaixar após atrito público.
Criado politicamente por Bolsonaro, o ex-ministro da Infraestrutura cativa uma direita que não está disposta mais a tolerar o radicalismo do ex-presidente, mas Tarcísio dificilmente conseguiria se eleger sem o apoio do criador, mesmo com o auxílio luxuoso de Kassab.
O Antagonista já vem dizendo isso há tempos. A novidade é que o pêndulo vai oscilando progressivamente a favor do governador de São Paulo, com a vantagem de que ele não tem precisado fazer nada para isso — a não ser conduzir o governo do estado mais rico do país de forma satisfatória para seus eleitores.
Já Bolsonaro se esforça para manter a direita sob seu comando. Na segunda-feira, 17, o ex-presidente divulgou um vídeo para dizer que o impeachment de Lula não está na pauta das manifestações convocadas para 16 de março. Nem todos seus aliados concordam, e esse é mais um sinal de que Bolsonaro já não tem a mesma força de antes.
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