Khamenei rejeita negociações com os EUA
Para Khamenei, a flexibilidade e falta de firmeza com o inimigo apenas torna o adversário mais agressivo
O aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, declarou que negociar com os Estados Unidos “não é nem inteligente, nem sábio, nem honroso”.
Durante o discurso, Khamenei apontou as experiências passadas como “prova” da falta de confiabilidade de Washington, citando a retirada unilateral dos EUA do acordo nuclear de 2015 e a subsequente imposição de novas sanções econômicas contra o Irã.
Para o líder iraniano, esses episódios mostram que o Irã deve resistir a qualquer tentativa de diálogo que envolva pressões externas.
A declaração ocorre em meio ao restabelecimento da campanha de “máxima pressão” pelo presidente americano, Donald Trump. A nova ordem executiva prevê o endurecimento de sanções econômicas, especialmente sobre as exportações de petróleo iranianas.
Durante seu primeiro mandato, Trump já havia adotado essa estratégia com o objetivo de sufocar o regime de Khamenei e obrigar a ditadura iraniana a renegociar os termos de sua atividade nuclear.
Aliados do presidente, como o senador Lindsey Graham, veem nas sanções uma oportunidade de enfraquecer definitivamente o programa nuclear iraniano. O Irã respondeu advertindo que qualquer ataque às suas instalações pode resultar em uma “guerra total” na região.
O aiatolá reforçou que o Irã não cederá à pressão e está preparado para responder a ameaças. Além disso, reiterou o apoio contínuo a grupos aliados, como o Hezbollah no Líbano, e reafirmou o compromisso com a “causa palestina”.
O discurso trouxe críticas adicionais aos países europeus, acusados de alinhamento com os EUA e de não cumprirem promessas feitas no âmbito do acordo nuclear.
Para Khamenei, a flexibilidade e falta de firmeza com o inimigo apenas torna o adversário mais agressivo, reforçando sua visão de que o Irã deve adotar uma postura independente.
O aiatolá também reafirmou sua posição contra a existência do Estado de Israel ao declarar que “toda a Palestina, do rio ao mar, pertence ao povo palestino”.
A expressão, amplamente divulgada por meio do site oficial khamenei.ir e nas redes sociais, fala do território entre o Rio Jordão e o Mar Mediterrâneo, englobando toda a área onde está localizado Israel. Essa retórica representa não apenas uma negação da legitimidade de Israel, mas um chamado à sua destruição completa.
A declaração se soma ao apoio contínuo de Khamenei a grupos armados como o Hezbollah e ao Hamas, que frequentemente utilizam essa mesma linguagem em seus discursos. Ao insistir na narrativa “do rio ao mar”, o Irã não apenas rejeita a possibilidade de uma solução diplomática para o conflito, mas também reforça a percepção de ameaça existencial para Israel.
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