Coreia do Sul: parlamento suspende o presidente interino Han
A Assembleia Nacional, dominada pela oposição, aprovou com 192 votos a favor um pedido de impeachment contra Han, que atualmente atua como presidente interino
A crise política na Coreia do Sul atinge um novo patamar com a destituição do primeiro-ministro Han Duck Soo, após a controversa tentativa de declaração de estado de guerra pelo presidente Yoon Suk Yeol.
Este desdobramento ocorre apenas 13 dias após a suspensão rápida do presidente, intensificando as tensões no cenário político nacional.
No último dia útil, a Assembleia Nacional, dominada pela oposição, aprovou com 192 votos a favor um pedido de impeachment contra Han, que atualmente atua como presidente interino.
Ao contrário da situação envolvendo o presidente Yoon, já surgem questionamentos legais sobre a validade do impeachment de Han.
A ala governista argumenta que para destituir um presidente em exercício é necessária uma maioria de dois terços — ou seja, 200 votos. Por outro lado, a oposição defende que uma simples maioria é suficiente, semelhante ao procedimento para ministros e primeiros-ministros.
Após a votação, Han expressou seu respeito pela decisão da Assembleia e afirmou que aguardaria pacificamente o julgamento do Tribunal Constitucional, optando por suspender suas funções para evitar mais confusão e incerteza.
Choi Sang Mok, atual ministro das Finanças e vice-primeiro-ministro para Assuntos Econômicos, assumirá interinamente a presidência.
Tentativa de golpe e polarização
Este movimento legislativo segue no rastro da controvérsia gerada pela tentativa de golpe de Yoon. No dia 14 de dezembro passado, o Parlamento já havia aprovado um pedido de impeachment contra o presidente Yoon.
As pesquisas indicam que 75% da população apoia o impeachment de Yoon. Entretanto, esse apoio não é unânime e há também manifestações em defesa do presidente deposto. A polarização entre os partidos se intensifica à medida que ambos os lados buscam consolidar suas posições.
O cerne do conflito reside na velocidade da resposta judicial. O líder da oposição, Lee Jae Myung, clamou por uma rápida resolução dos impasses políticos. Contudo, analistas sugerem que essa pressa está ligada a estratégias eleitorais da oposição para convocar eleições presidenciais antecipadas, visando capitalizar sobre a fraqueza da coalizão governante.
A perspectiva de uma estagnação política prolongada pode impactar negativamente tanto a credibilidade fiscal do país quanto o fluxo de investimento estrangeiro.
O novo presidente interino Choi terá que lidar com essas questões delicadas enquanto o Tribunal Constitucional acelera seus processos: uma audiência já ocorreu e outra está marcada para janeiro de 2025.
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