O cinema brasileiro atual incomoda Newton Cannito, e ele explica por que nesta entrevista ao Podcast OA!, com Felipe Moura Brasil e Duda Teixeira.
Roteirista, diretor e autor de livros como Novos Monstros: Histórias do Mundo Atual e Confissões de Acompanhantes, Cannito fala sobre a participação na série Cidade dos Homens, a política cultural e os desafios enfrentados pelo cinema nacional, com destaque para a questão dos editais.
“Aqui no Brasil, o mesmo órgão regula, financia e ele mesmo julga o que ele financiou. Então, imagina só: você dá o dinheiro e você julga se foi bem avaliado. Fica um negócio maluco”, diz na entrevista o cineasta, crítico do funcionamento Agência Nacional do Cinema (Ancine).
“Obviamente, ficou um negócio mastodonte, que tá gastando muito dinheiro. Graças a Deus, tem recurso. Isso é bom. A sociedade brasileira precisa de recurso. Eu sou aqueles que acham que é importantíssimo ter um projeto de audiovisual para nossa nação. O audiovisual é o que dá a liga da nação, é o que dá a nossa visão, que faz o povo ficar unido. O problema não é recurso, o problema é saber investir um recurso”, analisa.
Aparelhamento
Segundo Cannito, “a Ancine é aparelhada”.
“A verdade é essa, ela foi criada por pessoas de esquerda, são pessoas de que eu gosto, mas as pessoas do PCdoB… A política inteira é criada por um pessoal comunista mesmo. E esse pessoal vai lá e cria uma máquina que passa as ideias em que eles acreditam também”, comenta, destacando que o aparelhamento vem de décadas.
“A Ancine ficou careta. O cinema brasileiro ficou careta. Esse gênero, comédia erótica, é o gênero de mais sucesso na história do cinema brasileiro. A Chanchada, a Pornochanchada. E todo mundo fala mal, mas é bobagem. Eu estudei muito Pornochanchada, tem filmes maravilhosos. Tem grandes clássicos, filmes inclusive com crítica social, debate social. O termo mais exato é comédia erótica.”
Woke
Para Cannito, a cultura brasileira sofreu “uma invasão cultural”.
“Esse negócio do woke é uma invasão cultural, é grana internacional. A gente fala ‘americana’, mas é mais do que isso, de corporações internacionais dominando o pensamento. Treinaram um monte de gente para acreditar naquelas coisas. Quem não acreditava é expulso das associações. A gente foi expulso da Associação de Roteiristas porque a gente falou a palavra ‘woke'”, reclama.
O cineasta pede renovação:
“A gente tem que renovar a categoria urgente. Trazer novas vozes, novas pessoas, novos talentos. Tem muitos talentos que foram cancelados por 20 anos. Talentos maravilhosos. Isso inclui tanto gente jovem que não consegue, como gente adulta, gente grande. A gente está no momento, olha que louco: o cinema brasileiro com tanto problema de público, não atingindo o público. E o nosso grupo, que a gente chama Roteiristas Livres, que reúne os maiores roteiristas do Brasil, e ninguém está trabalhando. Pessoas no auge da carreira. Está lá o Pelé no banco de reservas, porque os coroas não conseguem seguir essa cartilha, não têm paciência.”
Assista à íntegra da entrevista: