MCTI não informa documento com ‘compromisso’ de R$ 300 milhões para candidata a vacina
O Ministério da Ciência e Tecnologia não conseguiu fornecer a O Antagonista o texto de um 'compromisso' para patrocinar com R$ 300 milhões a fase III dos estudos clínicos de uma candidata a vacina...
O Ministério da Ciência e Tecnologia não conseguiu fornecer a O Antagonista o texto de um ‘compromisso’ para patrocinar com R$ 300 milhões a fase III dos estudos clínicos de uma candidata a vacina.
Na última sexta (26), o ministro Marcos Pontes anunciou à imprensa que a ‘vacina de Ribeirão Preto’ – a candidata Versamune, da empresa Farmacore – havia pedido à Anvisa no dia anterior autorização para testes em seres humanos. O pronunciamento foi horas depois de João Doria anunciar a ButanVac.
Semanas antes, em 11 de março, a empresa americana PDS Biotech divulgou outro comunicado à imprensa. Em inglês, o texto diz que a empresa “anunciou hoje que seu consórcio de vacina contra a COVID-19 – formado por PDS Biotech, Farmacore Biotechnology e Blanver Farmoquímica – recebeu um compromisso da Secretaria de Pesquisa e Formação Científica do MCTI para financiar até aproximadamente US$ 60 milhões para apoiar o desenvolvimento clínico e comercialização de uma nova vacina contra a COVID-19 de segunda geração no Brasil, com base em Versamune®”.

Procurado por O Antagonista, o ministério confirmou que “se compromete em investir R$ 300 milhões, o que equivale a US$ 60 milhões, na primeira das 15 vacinas já financiadas pelo MCTI que chegar à fase III de ensaios clínicos”.
No entanto, questionado repetidas vezes desde sexta (26), o MCTI não forneceu um documento que registre esse compromisso.
Desde o ano passado, o governo brasileiro monitora 15 candidatas nacionais a vacinas contra o novo coronavírus. Dessas, três estão em estágio mais avançado, sendo uma delas a Versamune, a ‘vacina de Ribeirão Preto’. As outras duas são da UFMG e do Instituto do Coração, da USP.
Nesta quarta (31), em entrevista ao Papo Antagonista, a presidente da Farmacore, Helena Faccioli, forneceu outras informações.
Segundo ela, “não é um acordo, isso foi uma proposta que foi feita no passado”. Essa proposta seria de “buscar recursos para financiar essa pesquisa”.
Segundo Faccioli, houve o ‘compromisso’ de “buscar investimentos, buscar a viabilização de recursos para execução do projeto, caso cumpra todas as etapas, caso seja aprovado pela Anvisa, caso esteja dentro de toda a regulamentação necessária para o projeto ser executado em humanos”.
Ela acrescentou: “Isso não tem uma ata, isso foi através das nossas reuniões, dos nossos acordos, e o acordo foi: vamos disponibilizar, teremos recursos para financiar três vacinas na fase I, e recursos para financiar uma vacina na fase III”.
Sobre a Blanver, mencionada na nota da PDS, a presidente da Farmacore disse que “nós não temos nenhum acordo firmado com eles nem a PDS”.
Também procurada por O Antagonista, a PDS Biotechnology indicou o contato de uma assessora de imprensa no Brasil que atende à Farmacore.
Assista à entrevista de Helena Faccioli, presidente da Farmacore, ao Papo Antagonista:
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