“Agora, a gente tem uma esquerda que é de direita”
Edson Aran conta bastidores de capas da Playboy, como a de Mônica Veloso, e analisa o cenário editorial brasileiro no podcast Ladoa!
Edson Aran sente falta da “esquerda festiva” do Pasquim, o lendário jornal satírico.
“Era uma esquerda festiva muito sacana, não era que nem hoje. Todo mundo, não só à esquerda, mas à esquerda e à direita, virou avatar do moralismo, todo mundo patrulhando”, comentou o jornalista que comandou as redações de revistas como Sexy, VIP e Playboy, durante o podcast Ladoa!.
Segundo Aran, “esquerda e direita ainda são parâmetros, mas a a esquerda ficou de direita”.
“Então, agora, a gente tem uma direita e a gente tem uma esquerda que é de direita, uma esquerda que é a Liga das Senhoras Católicas”, acrescentou durante a conversa com Madeleine Lacsko.
Na entrevista, o autor de 11 livros detalha a trama de Quincas Borba e Nosferato, seu último lançamento, e fala sobre os bastidores das celebridades e do mercado das revistas masculinas — como as capas de Mônica Veloso, famosa amante de um senador, e de Cléo Pires, que marcaram época na Playboy brasileira—, além de criticar o estado atual do humor e do jornalismo no Brasil.
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Humor impraticável
“Está impraticável trabalhar com humor. A característica do humor é ser irreverente. Como é que você faz o humor tendo que ser reverente a certas figuras e certas ideias? É a morte do humor. Não é à toa que o humor, hoje, dá tanto problema, porque, se você está cobrando reverência e a função do humorista é ser irreverente, como é que isso casa? Não casa, não tem como”, lamentou.
A conversa também dá um mergulho profundo na transição da mídia física para a digital, que inviabilizou as revistas masculinas, entre outras publicações, e aborda o papel da curadoria no caos informacional da internet atualmente, além das transformações da cultura política brasileira.
Assista à íntegra:
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