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MahSima Nadim no podcast Ladoa!

A beleza como ato de resistência

Maquiadora iraniana Mahsima Nadim conta trajetória no Brasil após escapar da opressão do regime dos aiatolás: "Falo a linguagem da beleza"

Redação O Antagonista

Nascida após a Revolução Islâmica de 1979 no Irã, Mahsima Nadim cresceu em um ambiente no qual direitos básicos das mulheres são suprimidos. Atividades como dançar ou cantar em público são proibidas para elas, e a liberdade de expressão é inexistente.

“Eu saí do meu país por causa do falta de liberdade. Eu não saí do meu país por causa de fome, por causa de família. Não, eu saí de lá para respirar como uma mulher”, conta Mahsima a Madeleine Lacsko no podcast Ladoa!.

Formada em administração e com 10 anos de experiência em recursos humanos no Irã, Mahsima viu-se forçada ao exílio para “salvar a vida”. Ela, sua irmã cantora e seu cunhado escolheram o Brasil em 2012, um caminho que considerou mais difícil por não falar o idioma, mas que hoje celebra como a decisão certa.

Linguagem da beleza

A chegada foi marcada por barreiras de comunicação. Sem aplicativos de tradução avançados na época, ela escrevia frases que tirava do dicionário em e-mails para conseguir um emprego em salões de beleza.

Com perseverança, começou a construir sua carreira do zero, em um salão de bairro, oferecendo serviços como design de sobrancelha e depilação com linha, uma técnica tradicional de sua cultura.

Foi nesse ambiente que, com a ajuda da dona do primeiro salão em que trabalhou, que, por coincidência, era também professora de português, a iraniana começou a aprender o idioma e a cultura brasileira, conquistando suas primeiras clientes, muitas das quais a acompanham até hoje.

Ao longo desse percurso, Mahsima se acostumou a se expressar sem dizer uma palavra, e espalhou sua mensagem de beleza por meio das redes sociais, com dicas de maquiagem.

“Ensino mais técnicas, sem falar. Então, pessoas de vários lugares do mundo podem, sem precisar falar português ou inglês ou persa. Eu falo a linguagem da beleza”, resumiu.

Caráter

Mahsima tinha certificação para maquiagem no Irã, mas a atividade não passava de uma paixão. No Brasil, a prática acabou se tornando sua principal ferramenta de trabalho e expressão.

A maquiadora desenvolveu uma técnica única, que mistura a estética persa, com traços marcados, a um estilo mais natural e elegante, adequado às mulheres brasileiras. Para ela, a maquiagem vai além da beleza: deve realçar a força e o caráter de cada mulher, ajudando-as a se sentirem mais poderosas.

Durante a conversa com Madeleine, Mahsima também desmistifica visões equivocadas sobre o Irã, explicando que os iranianos não são árabes, mas persas.

Elas relembram a era anterior à revolução iraniana, quando as mulheres, impulsionadas pela rainha Pahlavi, conquistavam mais espaço na sociedade, um progresso brutalmente interrompido pelos aiatolás.

Hoje, a opressão se manifesta em leis que consideram a mulher como “metade do homem”, impactando heranças, testemunhos legais e até a guarda dos filhos.

Tudo o que era proibido em sua terra natal — como a dança persa e sufi — tornou-se parte de sua arte e de seu trabalho no Brasil. Hoje, com sua própria empresa, Mahsima não apenas transforma rostos, mas também ajuda mulheres a superarem suas próprias “prisões psicológicas”.

Assista à conversa:

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