OpenAI trava batalha judicial para impedir acesso a dados de usuários
The New York Times quer obrigar empresa a guardar todo o histórico de conversas; CEO diz que exigência ameaça princípio básico de privacidade
A OpenAI entrou com recurso contra uma decisão da Justiça americana que, a pedido do jornal The New York Times, obriga a empresa a manter arquivado, sem prazo de exclusão, todo o conteúdo gerado por usuários do ChatGPT e da API, inclusive conversas que já tenham sido apagadas.
A medida judicial vale para todos os usuários, e não apenas os envolvidos no processo.
A exigência foi feita no âmbito da ação em que o jornal acusa a empresa de violar direitos autorais.
Para tentar comprovar o uso indevido de reportagens na formação dos modelos de inteligência artificial, o Times quer que a OpenAI guarde todos os dados de entrada e saída dos usuários — uma solicitação sem precedentes no setor.
Em reação pública, o CEO da OpenAI, Sam Altman, classificou o pedido como inaceitável.
“Estamos recorrendo da decisão. Vamos combater qualquer exigência que comprometa a privacidade dos nossos usuários; isso é um princípio central”, escreveu Altman.
A empresa afirma que a ordem imposta vai contra as normas de proteção de dados adotadas internacionalmente, que garantem ao usuário o direito de apagar suas próprias informações.
Segundo a OpenAI, os dados exigidos estão agora sob bloqueio legal e só podem ser acessados por equipes jurídicas restritas.
Altman também propôs um novo debate sobre o sigilo nas interações com inteligência artificial. “Na minha opinião, conversar com uma IA deveria ser como conversar com um advogado ou um médico”, afirmou.
Usuários das versões empresariais e da API com cláusulas específicas de não retenção não são afetados pela medida.
Já para os demais, a OpenAI informa que manterá a contestação judicial e, se for bem-sucedida, retomará suas políticas padrão de exclusão em até 30 dias.
- Leia a declaração de Sam Altman, CEO da OpenAI, sobre o caso:
“Recentemente, o The New York Times pediu a um tribunal que nos obrigasse a não apagar nenhum chat de usuário.
Achamos que isso é um pedido inadequado, que cria um precedente ruim. Estamos recorrendo da decisão.
Vamos combater qualquer exigência que comprometa a privacidade dos nossos usuários; isso é um princípio central.”
“Temos pensado na necessidade de algo como um ‘privilégio de IA’; isso realmente acelera a urgência dessa conversa.
Na minha opinião, conversar com uma IA deveria ser como conversar com um advogado ou um médico.
Espero que a sociedade encontre uma solução em breve.”
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