Redes sociais impulsionam uso de suplementos sem orientação profissional
Propaganda ostensiva feita por celebridades e influenciadores precisa ser mediada por mais informação e consulta a especialistas
O mercado de suplementos alimentares no Brasil – onde não são considerados medicamentos, cuja venda dispensa prescrição médica – encontra nas plataformas digitais espaço para crescer exponencialmente, e coloca em risco a saúde de consumidores sem a devida orientação.
Redes sociais e a atuação de influenciadores têm contribuído para o consumo excessivo e descontrolado desses produtos, muitas vezes promovidos de forma enganosa ou incompleta, associados a ideais estéticos e resultados rápidos.
Especialistas alertam para os riscos à saúde pública decorrentes do seu uso indiscriminado, destacando que suplementos são destinados a complementar a dieta de indivíduos saudáveis, não a substituir uma alimentação equilibrada ou serem usados sem avaliação profissional.
A (má) influência digital e a lógica da medicalização
O setor de suplementos tem atraído investimentos consideráveis, resultando em uma ampla oferta de produtos no mercado.
No entanto, a pesquisadora Nadine Marques, da Faculdade de Saúde Pública da USP, aponta para uma “lógica de medicalização” em torno desses itens. A propaganda ostensiva, potencializada por celebridades e influenciadores nas redes sociais, cria a percepção de que suplementos são benéficos para todos. Essa estratégia, muitas vezes ligada à busca por um ideal estético de beleza ou desempenho esportivo, leva o público a consumir sem consulta a um profissional de saúde, como um nutricionista.
A falta de informação precisa agrava o problema. Mesmo suplementos populares, como a creatina, nem sempre são bem explicados ao público.
Apesar dos esforços de órgãos reguladores como a Anvisa, muitos brasileiros consomem esses produtos sem entender completamente para que servem ou os possíveis efeitos. Para Suzana Lannes, professora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, a finalidade dos suplementos é fornecer nutrientes, substâncias bioativas, enzimas ou probióticos para complementar a alimentação de pessoas saudáveis, quando necessário.
A necessidade do acompanhamento profissional
As consequências do uso de suplementos variam individualmente, o que torna a orientação profissional indispensável antes do consumo. Nadine Marques reforça que uma recomendação feita por uma personalidade das redes sociais não é aplicável a todas as pessoas.
É fundamental, segundo a pesquisadora, que cada indivíduo busque um acompanhamento especializado para determinar se, de fato, possui uma necessidade nutricional específica que sua alimentação não consegue suprir.
A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) já alertou que o uso indiscriminado de suplementos pode gerar sérios problemas de saúde pública. Portanto, a consulta a um nutricionista é crucial para garantir o uso seguro e eficaz desses produtos, evitando riscos desnecessários
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