O “direito de tentar”: tratamentos experimentais estão mais acessíveis nos EUA

03.04.2026

logo-crusoe-new
O Antagonista

O “direito de tentar”: tratamentos experimentais estão mais acessíveis nos EUA

avatar
Redação O Antagonista
4 minutos de leitura 03.06.2025 17:56 comentários
Saúde

O “direito de tentar”: tratamentos experimentais estão mais acessíveis nos EUA

Especialistas, pacientes e legisladores discutem o conceito de “medicina baseada em evidências” e a liberdade individual

avatar
Redação O Antagonista
4 minutos de leitura 03.06.2025 17:56 comentários 0
O “direito de tentar”: tratamentos experimentais estão mais acessíveis nos EUA

Leis que expandem o acesso a medicamentos e terapias experimentais, ainda não aprovados pelos órgãos reguladores, estão ganhando terreno nos Estados Unidos.

Inicialmente concebidas para pacientes em estado grave ou terminal, essas legislações, conhecidas como o “direito de tentar”, agora avançam para permitir que pessoas saudáveis também busquem tratamentos não comprovados. Essa movimentação levanta sérias preocupações éticas e de segurança, segundo especialistas.

A aprovação de um projeto de lei em Montana, que autoriza clínicas a venderem tratamentos experimentais e não comprovados para qualquer pessoa que os deseje, exemplifica essa nova tendência. Embora o governador do estado tenha sancionado a medida recentemente, a iniciativa se alinha a um movimento mais amplo que pode representar uma ruptura com a medicina baseada em evidências.

Histórico e virada na legislação

Tradicionalmente, o sistema de aprovação de medicamentos nos EUA, regulado pela Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA), exige testes rigorosos em voluntários humanos por meio de ensaios clínicos.

Esses testes visam verificar a segurança e a eficácia de novos tratamentos antes que possam ser vendidos ao público, protegendo contra produtos ineficazes ou perigosos. Para pacientes gravemente doentes que esgotaram outras opções, um programa de “uso compassivo” da FDA já permite o acesso a tratamentos experimentais desde a década de 1980, com a agência autorizando quase todos os pedidos.

No entanto, de acordo com Jessica Hamzelou, o Goldwater Institute, uma organização libertária, impulsionou em 2014 um modelo de lei de “direito de tentar” para pacientes terminais, que foi adotado em 41 estados e, posteriormente, em nível federal em 2018.

Essas leis geralmente permitem o acesso a medicamentos que passaram apenas pelas primeiras etapas dos ensaios clínicos (Fase I), que muitas vezes testam a segurança em um pequeno grupo de pessoas saudáveis (cerca de 20) e não são conclusivos sobre como pacientes doentes reagirão. Críticos sugerem que essas leis foram motivadas, em parte, por uma aversão à regulamentação da FDA.

A expansão e os riscos

Agora, as leis de “direito de tentar” estão sendo significativamente ampliadas. Além de Montana, outros estados como Geórgia, Arizona, Mississippi e Carolina do Norte aprovaram leis semelhantes que estendem o acesso a tratamentos experimentais. Utah, por exemplo, autorizou diversos prestadores de saúde a administrarem terapias de células-tronco placentárias não aprovadas, que podem custar dezenas de milhares de dólares com efeitos desconhecidos. Essa lei de Utah foi descrita por um especialista como um “desafio bem flagrante e generalizado à autoridade da FDA”.

Tais mudanças acendem um debate complexo. De um lado, argumenta-se que se trata de autonomia médica e do direito individual de escolher tratamentos, especialmente para aqueles com mais a ganhar e menos a perder. De outro, está a necessidade de proteger as pessoas de medicamentos ineficazes, pois a ética médica considera antiético vender tratamentos sem saber se funcionarão.

Há também preocupações com possíveis incentivos financeiros para médicos que recomendam terapias experimentais, já que as leis de “direito de tentar” tendem a protegê-los de ações disciplinares e litígios. Alguns especialistas também levantam a hipótese de que o próprio processo de aprovação da FDA pode ter se tornado menos rigoroso na última década.

Diante desse cenário, a questão se concentra em encontrar um equilíbrio entre a liberdade de escolha e a proteção dos pacientes contra riscos desconhecidos. Como afirma Diana Zuckerman, do National Center for Health Research, na medicina, seria ideal ter “esperança baseada em evidências em vez de esperança baseada em exageros”.

  • Mais lidas
  • Mais comentadas
  • Últimas notícias
1

Pentágono anuncia aposentadoria imediata do chefe do Estado-Maior dos EUA

Visualizar notícia
2

Fachin contesta relatório dos EUA sobre Moraes

Visualizar notícia
3

Nikolas pressiona Alcolumbre a pautar veto de Lula sobre PL da Dosimetria

Visualizar notícia
4

Flávio rebate Lula e nega intenção de acabar com Pix

Visualizar notícia
5

China vai barrar resolução que protege o Estreito de Ormuz?

Visualizar notícia
6

Crusoé: Segunda via e meia

Visualizar notícia
7

Ciro rebate Lula: “Esse defeito da roubalheira não aconteceu”

Visualizar notícia
8

Michelle reposta vídeo de adversário de Carluxo em SC

Visualizar notícia
9

Novo condiciona pré-candidaturas ao Senado a apoio a impeachment de ministros do STF

Visualizar notícia
10

Crusoé: Ex-assessor de Trump posta “último retrato de Xandão antes da prisão”

Visualizar notícia
1

Deltan sai na frente pelo Senado do Paraná e Moro aparece em primeiro para o Governo em todos os cenários

Visualizar notícia
2

Fachin contesta relatório dos EUA sobre Moraes

Visualizar notícia
3

Flávio rebate Lula e nega intenção de acabar com Pix

Visualizar notícia
4

Lula posa de defensor do Pix após receber instruções de marqueteiro do governo

Visualizar notícia
5

Nikolas pressiona Alcolumbre a pautar veto de Lula sobre PL da Dosimetria

Visualizar notícia
6

"O objetivo é enterrar Jair Bolsonaro vivo", diz Carluxo

Visualizar notícia
7

França deixa ministério e pode ser vice de Haddad em SP

Visualizar notícia
8

Novo condiciona pré-candidaturas ao Senado a apoio a impeachment de ministros do STF

Visualizar notícia
9

Janela partidária termina nesta sexta-feira

Visualizar notícia
10

"Nossas Forças Armadas nem começaram a destruir o que restou no Irã", diz Trump

Visualizar notícia
1

Crusoé: “Não temos esperança de que muitos presos políticos sejam libertados”

Visualizar notícia
2

Graeml ingressa no PSD de Ratinho Jr. e mantém apoio a Flávio

Visualizar notícia
3

Band muda programação e coloca esporte às 8h da manhã

Visualizar notícia
4

Tarcísio sanciona aumento salarial de 10% para polícias de SP

Visualizar notícia
5

Para aliados, França será um nome “combativo” no Senado

Visualizar notícia
6

Magno Karl na Crusoé: O que acontece com o Rio de Janeiro?

Visualizar notícia
7

“País voltou a crescer”, diz Gleisi ao deixar governo para concorrer ao Senado

Visualizar notícia
8

Páscoa: 5 filmes para praticar inglês no feriado

Visualizar notícia
9

SBT demite executivo responsável por afundar a emissora

Visualizar notícia
10

Tripulante de caça americano abatido no Irã é resgatado

Visualizar notícia

Tags relacionadas

saúde pública
< Notícia Anterior

Papo Antagonista: O protagonismo do Judiciário

03.06.2025 00:00 4 minutos de leitura
Próxima notícia >

Fabiana Justus explica diagnóstico dela e da filha

03.06.2025 00:00 4 minutos de leitura
avatar

Redação O Antagonista

O Antagonista é um dos principais sites jornalísticos de informação e análise sobre política do Brasil. Sua equipe é composta por jornalistas profissionais, empenhados na divulgação de fatos de interesse público devidamente verificados e no combate às fake news.

Suas redes

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (0)

Torne-se um assinante para comentar

Icone casa

Seja nosso assinante

E tenha acesso exclusivo aos nossos conteúdos

Apoie o jornalismo independente. Assine O Antagonista e a Revista Crusoé.