Medicamento para prevenção do HIV é aprovado pela Anvisa
Lenacapavir é indicado para adultos e adolescentes; definição de preços para comercialização no mercado brasileiro sairá em breve
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) oficializou o registro do lenacapavir para a profilaxia pré-exposição ao HIV-1 por contato sexual. A liberação abrange adultos e jovens com idade mínima de 12 anos que pesem ao menos 35 quilos. Por ser um medicamente preventivo, sua recomendação pressupõe que o paciente apresente diagnóstico laboratorial negativo para o vírus.
Mecanismo de ação e eficácia do composto
A substância interfere em diferentes etapas do funcionamento do capsídeo viral, o que impede a reprodução do agente infeccioso no organismo. O esquema de administração utiliza injeções subcutâneas aplicadas em intervalos de seis meses, após uma fase de indução realizada com comprimidos orais. Dados de estudos clínicos indicaram proteção completa em grupos de mulheres cisgênero participantes dos testes.
A eficácia do fármaco atingiu patamares 89% superiores aos índices registrados pela profilaxia oral de uso cotidiano. Em termos comparativos, o desempenho do medicamento foi 96% superior à incidência base de transmissão do vírus. A tecnologia permite que a proteção ocorra sem a necessidade de ingestão de comprimidos todos os dias.
A Organização Mundial da Saúde passou a orientar a adoção do lenacapavir como recurso preventivo adicional em julho de 2025. A entidade posicionou a solução como a melhor alternativa disponível após o desenvolvimento de imunizantes. O registro do produto já havia sido obtido anteriormente em órgãos reguladores dos Estados Unidos e da União Europeia.
Disponibilidade e regulação no Brasil
Apesar da autorização sanitária, a venda do medicamento no território nacional aguarda a estipulação do valor máximo pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos. Já a oferta gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS) passará por análise do Ministério da Saúde. Cabe à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias avaliar a viabilidade da inclusão no SUS.
Desde 2018, a rede pública brasileira oferece a profilaxia em formato de comprimidos diários compostos por tenofovir e emtricitabina. O modelo atual exige que o cidadão mantenha rotina constante de ingestão e compareça com regularidade às unidades de atendimento. A nova opção injetável pode reduzir falhas causadas por eventuais interrupções no cronograma de medicação.
O lenacapavir também recebeu aprovação para o tratamento de indivíduos que apresentam resistência a múltiplas terapias antirretrovirais. A medida visa auxiliar pacientes com histórico de tratamentos prévios que não obtiveram sucesso na supressão viral. O uso integra as políticas de prevenção combinada, que reúnem testagem, preservativos e tratamento imediato.
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