Você está pronto para ser um ciborgue?
Empresas investem pesado no desenvolvimento de tecnologias integradas ao corpo humano
Interfaces cérebro-computador (BCIs) implantáveis, que permitem a indivíduos paralisados controlar computadores usando apenas o pensamento, estão perto de uma fase decisiva de testes clínicos ampliados.
Empresas como Neuralink, Synchron e Neuracle lideram os esforços para transformar demonstrações de laboratório em produtos acessíveis com potencial de melhorar significativamente a vida de milhares de pessoas.
Segundo Antonio Regalado, este momento representa uma “era da tradução”, em que o investimento privado significativo impulsiona a aceleração das empresas. Interfaces cérebro-computador implantadas funcionam através de eletrodos inseridos no cérebro que captam sinais neurais de movimentos imaginados, transmitindo comandos a um computador para controlar um cursor ou até gerar fala. Apesar de a primeira pessoa ter controlado um cursor com um implante cerebral em 1998, o progresso para a aplicação prática tem sido lento, com pouca ajuda real para pacientes por anos.
Uma pesquisa detalhada realizada pela cientista Michelle Patrick-Krueger e pelo neuroengenheiro Jose Luis Contreras-Vidal revelou que, ao longo de 26 anos, apenas 71 pacientes documentados controlaram um computador diretamente com seus neurônios. Esses estudos demonstraram a capacidade de usar neurônios para jogar videogames, mover braços robóticos ou se comunicar, mas tais feitos ainda não se traduziram em ajuda prática generalizada devido à indisponibilidade ampla dos implantes.
Agora, ensaios clínicos mais abrangentes por empresas como Synchron, Neuralink e Neuracle buscam superar os desafios técnicos e preparar o terreno para um produto real.
Tecnologias emergentes em fase de testes
A Synchron se destaca por utilizar um “stentrode”, um stent com eletrodos inserido em um vaso cerebral via veia do pescoço, evitando cirurgia cerebral aberta. O CEO Tom Oxley enfatiza a simplicidade e escalabilidade da abordagem. No entanto, a Synchron ainda não agendou um estudo crucial para obter aprovação comercial.
A Neuralink, por sua vez, informou ter implantado seu dispositivo N1 em três voluntários. O implante utiliza múltiplos fios finos de eletrodos inseridos diretamente no cérebro. O primeiro voluntário da Neuralink, Noland Arbaugh, demonstrou controle bidimensional de cursor e cliques, permitindo jogar games como Civilization e xadrez online. Uma captação maior de atividade neural é esperada com mais eletrodos.
Já a chinesa Neuracle afirmou conduzir três testes (dois na China, um nos EUA) com um implante de malha de eletrodos sobre a superfície cerebral. Detalhes públicos sobre o número exato de pacientes da Neuracle são escassos, o que impacta sua inclusão em certas contagens de pesquisa.
O futuro não é mais como era antigamente
Segundo dados levantados por Patrick-Krueger, implantes já duraram até 15 anos, com a maioria dos pacientes nos EUA e aproximadamente 75% sendo homens. Apesar dos avanços, questões sobre a durabilidade dos implantes, o nível real de controle que oferecem e a escalabilidade da implantação permanecem como obstáculos significativos.
Os próximos anos serão cruciais para definir se as BCIs implantáveis sairão do campo experimental para se tornarem produtos amplamente acessíveis que possam beneficiar muitas pessoas. Apesar dos desafios, especialistas expressam confiança de que uma virada comercial está a caminho, potencialmente transformando a vida de indivíduos com paralisia severa.
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