Veneno ancestral de 60.000 anos pode explica métodos dos caçadores
Descobertas em sítios da África Austral revelam que humanos da Idade da Pedra combinavam tecnologia de armas com plantas venenosas
Descobertas em sítios da África Austral revelam que humanos da Idade da Pedra combinavam tecnologia de armas com plantas venenosas, indicando planejamento, experimentação e transmissão de saberes em estratégias de caça há cerca de 60 mil anos.
O que é o veneno de flecha mais antigo do mundo
A expressão “veneno de flecha mais antigo do mundo” refere-se a resíduos identificados em pontas de flecha de um abrigo rochoso em KwaZulu-Natal, na África do Sul.
Esses artefatos de cerca de 60 mil anos preservam compostos ligados à planta gifbol, ou “cebola venenosa”, usada tradicionalmente por caçadores locais.
A gifbol é uma planta bulbosa com alcaloides potentes, capazes de afetar sistema nervoso e coração de animais.
Ao aplicar extratos do bulbo nas pontas de flecha, caçadores ampliavam o poder letal das armas, abatendo presas a maior distância e com menor esforço físico direto.

Como os pesquisadores identificaram esse veneno antigo
A identificação do veneno resultou de um trabalho interdisciplinar que combinou arqueologia, química e estudo de resíduos orgânicos.
Pesquisadores analisaram superfícies de pontas de quartzo e outras pedras em busca de vestígios microscópicos preservados ao longo de milênios.
Foram usadas técnicas modernas de cromatografia e espectrometria de massa, que detectaram moléculas como buphanidrine e epibuphanisine, associadas à gifbol.
A comparação com flechas envenenadas históricas de museus revelou forte continuidade no uso da mesma planta venenosa.
- Coleta controlada: remoção cuidadosa de resíduos das pontas arqueológicas.
- Análises químicas: identificação de toxinas vegetais estáveis ao tempo.
- Comparações históricas: confronto com flechas envenenadas de poucos séculos atrás.
- Estudos etnográficos: registro de usos atuais da gifbol em práticas de caça.
O que o uso de veneno revela sobre os primeiros caçadores
O uso de veneno mostra que esses caçadores não dependiam apenas de força ou perseguições prolongadas.
Preparar toxinas exigia escolher a planta correta, processar o bulbo, misturar ingredientes e aplicar o extrato sem contaminação, o que implica planejamento e divisão de tarefas.
A gifbol não tem coloração chamativa, o que indica observação cuidadosa e aprendizagem social para reconhecer seus riscos.
Essa prática revela uma forma precoce de “tecnologia química”, baseada em testes, erros e transmissão sistemática de conhecimento.
INCWADI: 📖
— Sabelo ka Lindamkhonto vi (@SabzerAzoh) January 22, 2026
The term iNcwadi originates from a traditional medicinal plant known as iNcotho, referred to in Latin as Boophone disticha. This plant itself was called iNcwadi. It earned this name because of the way it opens when it grows… pic.twitter.com/U48AqWHdBl
Quais etapas compunham o sistema de caça com veneno
O sistema de caça com veneno articulava conhecimentos de botânica, fabricação de armas e comportamento animal.
Cada fase da prática exigia coordenação entre membros do grupo e memória coletiva acumulada ao longo de gerações.
- Identificação de plantas tóxicas seguras para manuseio controlado.
- Desenvolvimento de métodos de extração e preparo do veneno.
- Aplicação em flechas e dardos para ampliar o alcance letal.
- Transmissão do conhecimento, mantendo o uso da mesma espécie venenosa.
Por que esse veneno é importante para entender a evolução humana
O veneno de flecha mais antigo do mundo indica raciocínio avançado e planejamento complexo em Homo sapiens muito antes do que se supunha.
A combinação de arco, flecha e toxina integra um sistema de caça estruturado, com antecipação de efeitos e estratégias de emboscada.
A continuidade no uso da gifbol por dezenas de milhares de anos sugere tradições culturais duradouras e manejo sofisticado de recursos naturais.
Esses dados reforçam a imagem de comunidades que observavam, testavam e refinavam técnicas, moldando a relação entre humanos e ambiente desde os primórdios.
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