Vaticano pede justiça, democracia e direitos humanos na Venezuela
Cardeal Pietro Parolin exorta autoridades e povo a se se inspirar na santidade de José Gregorio Hernández e Carmen Rendiles, para agir com justiça e promover convivência democrática
O Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Pietro Parolin, apelou à Venezuela para que estruture seu futuro com base nos pilares da justiça, verdade, liberdade e respeito aos direitos humanos. A mensagem foi proferida na Basílica de São Pedro, nesta segunda-feira, 20, durante a missa de Ação de Graças pela recente canonização dos primeiros santos venezuelanos.
O evento celebrou José Gregorio Hernández e madre María Carmen Rendiles, e foi tratado como um momento oportuno (“kairos”) para que os venezuelanos superem a crise e fortaleçam a convivência democrática, inspirada pela vida exemplar dos novos canonizados.
O cardeal foi enfático ao afirmar que essa é a única via para a estabilidade nacional:
“Só assim, querida Venezuela, passarás da morte para a vida. Só assim, querida Venezuela, a tua luz brilhará nas trevas, a tua escuridão se tornará meio-dia, se ouvires as palavras do Senhor que te chama a abrir as prisões injustas, a quebrar os ferrolhos das algemas, a libertar os oprimidos, a quebrar todas as algemas. Só assim, querida Venezuela, poderás responder à tua vocação de paz se a construíres sobre os fundamentos da justiça, da verdade, da liberdade e do amor, do respeito pelos direitos humanos, gerando espaços de encontro e de convivência democrática, priorizando o que une e não o que divide, buscando os meios e as oportunidades para encontrar soluções comuns para os grandes problemas que te afetam, colocando o bem comum como objetivo de toda a atividade pública. A canonização de José Gregorio Hernández e Madre Carmen é um kairós, isto é, um momento oportuno para empreender este caminho. Não abandonem, queridos irmãos e irmãs, não deixem que isso passe em vão. Que os novos santos intercedam para que todos vocês possam seguir em frente com esperança e determinação. Que a Virgem de Coromoto, São José Gregório e Santa Madre Carmen rezem por nós, e assim seja”.
A santidade como modelo de esperança e conciliação
Os novos santos encarnaram a fé e o serviço mesmo em cenários de adversidade. A cerimônia em São Pedro, que contou com a participação do Coro Simón Bolívar do Sistema de Orquestras da Venezuela, representa um marco histórico para a Igreja venezuelana.
O Papa Leão XIV, que havia presidido a canonização no dia anterior, também se encontrou com os peregrinos. O pontífice pediu que os fiéis seguissem o exemplo dos santos como guia para enfrentar as dificuldades cotidianas.
Leão XIV afirmou que José Gregorio Hernández e a Madre Carmen Rendiles foram indivíduos muito parecidos com a população. Eles viveram enfrentando problemas que não são estranhos aos venezuelanos.
O Papa ressaltou que a santidade é um chamado universal: “Quem vive ao meu lado, como eu, como eles, é chamado à mesma santidade, e por isso devo vê-lo, antes de tudo, como um irmão a quem respeitar e a quem amar, compartilhando o caminho da existência, nos sustentando nas dificuldades e construindo juntos o reino de Deus com alegria”.
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