Vaca se torna a primeira “usuária de ferramentas” do mundo bovino
O interesse científico em animais de criação costuma se concentrar em produtividade, saúde e manejo.
O interesse científico em animais de criação costuma se concentrar em produtividade, saúde e manejo.
Uma pesquisa do Dr. Auersperg no Current Biology, porém, destacou a inteligência das vacas ao documentar o uso de ferramentas por uma bovina chamada Veronika, observada em uma propriedade na Áustria, reacendendo o debate sobre as capacidades cognitivas do gado.
O que torna o uso de ferramentas em vacas um fenômeno relevante?
Em geral, o uso intencional de objetos é associado a chimpanzés, corvos e alguns primatas, raramente ao gado.
No caso de Veronika, o Dr. definiu “ferramenta” como qualquer objeto externo manipulado para alcançar um objetivo específico por meio de ação mecânica, como coçar uma parte inacessível do corpo, mostrando que bovinos podem se enquadrar nesse conceito.
Como a vaca Veronika utiliza a ferramenta para se coçar?
Veronika, da raça Swiss Brown, não é explorada para carne ou leite e vive como companheira do agricultor.
Em um ambiente com mais liberdade e contato prolongado com humanos, ela passou a usar um cabo de vassoura para se coçar, comportamento que motivou estudo sistemático.
Em testes com uma escova de deck colocada no chão em diferentes posições, ela escolhia de forma consistente entre a parte com cerdas ou o lado liso, ajustando a pegada com a boca e a intensidade dos movimentos conforme a região do corpo, o que sugere planejamento motor básico.

O que o uso de ferramentas revela sobre a inteligência das vacas?
O comportamento de uso de ferramentas por bovinos observado em Veronika levou pesquisadores a revisitar a percepção comum sobre a inteligência das vacas.
Em muitos contextos, esses animais são vistos apenas como produtores de leite ou carne, e não como indivíduos capazes de inovação comportamental.
O estudo indica que a ausência de registros semelhantes pode refletir falta de observação detalhada, não limitações cognitivas rígidas.
Mesmo sendo um uso voltado ao próprio corpo, o padrão flexível e multifuncional sugere maior capacidade de adaptação do que se supunha.
Quais fatores ambientais estimulam comportamentos complexos em bovinos?
Para entender melhor o uso de ferramentas em gado, pesquisadores avaliam que tipos de condições favorecem esse tipo de inovação.
O caso de Veronika destaca o impacto de uma vida longa, ambiente enriquecido e menor pressão produtiva sobre o repertório comportamental.
Entre os fatores ambientais que podem estimular comportamentos mais complexos e exploratórios em bovinos, alguns se repetem com frequência nas análises dos cientistas:
- Longevidade: mais tempo de vida amplia oportunidades de experimentar novos comportamentos;
- Ambiente enriquecido: objetos variados, áreas ao ar livre e possibilidade de exploração física;
- Contato humano frequente: manejo próximo expõe o animal a instrumentos e superfícies diferentes;
- Menos pressão produtiva: foco também no indivíduo facilita a observação de comportamentos inovadores.
Como o estudo sobre Veronika pode influenciar o manejo de gado?
A documentação do uso de ferramentas em vacas abre espaço para discutir bem-estar animal, desenho de instalações rurais e enriquecimento ambiental.
Ambientes mais diversos e menos restritivos podem favorecer estímulos cognitivos, além de benefícios físicos básicos.
Pesquisadores incentivam criadores a registrar situações em que bois ou vacas manipulem objetos de forma funcional.
Esses dados podem revelar se casos como o de Veronika são raros ou subnotificados, orientando sistemas de criação que considerem melhor as capacidades cognitivas do gado.
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