Um grupo de mergulhadores encontrou tesouros e pedaços de mármore que podem pertencer ao Partenon
O fragmento, de pequenas dimensões, apresenta um detalhe esculpido em forma de gota, típico de elementos decorativos de templos clássicos.
Um fragmento de mármore recém encontrado no fundo do mar Egeu reacendeu a atenção sobre a história dos Mármores do Partenon e do transporte de antiguidades gregas no início do século XIX.
A peça, localizada no naufrágio do bergantim Mentor, pode estar ligada ao Partenon e ajudar a esclarecer o percurso desse patrimônio até sua saída definitiva da Grécia.
O que revela o fragmento subaquático possivelmente ligado ao Partenon
O fragmento, de pequenas dimensões, apresenta um detalhe esculpido em forma de gota, típico de elementos decorativos de templos clássicos.
Especialistas sugerem que se trate de parte de um entablamento ou moldura arquitetônica semelhante às usadas no templo de Atena, com estilo e proporções comparáveis a outras peças atribuídas ao Partenon.
Mais análises ainda são necessárias para confirmar a origem exata, mas o achado reforça hipóteses sobre a composição original da carga do Mentor.
Isso ajuda a identificar o que foi efetivamente embarcado, o que se perdeu no naufrágio e o que nunca chegou aos museus europeus.
Encuentran en uno de los barcos hundidos de Lord Elgin en 1802 un fragmento de mármol de la decoración escultórica del Partenón https://t.co/hHz7oEsASh
— LBV Magazine (@lbv) March 17, 2026
Por que o novo achado é importante para a história dos Mármores do Partenon
Caso o vínculo com o Partenon seja confirmado, o fragmento funcionará como evidência material da carga original do Mentor.
Essa informação contribui para refinar inventários históricos, ajustar listas de peças ausentes e avaliar o grau de integridade do monumento após a retirada das esculturas.
O achado também amplia o entendimento sobre a circulação de bens culturais no início do século XIX.
Ao combinar vestígios subaquáticos com registros escritos, pesquisadores reconstituem melhor o contexto em que os Mármores do Partenon foram removidos, transportados e parcialmente perdidos.

Como foi conduzida a nova escavação no naufrágio do Mentor
As intervenções recentes no sítio subaquático seguiram um plano dividido em setores ao redor do casco preservado.
A oeste, a ausência de grandes elementos de madeira foi atribuída à longa exposição ao ambiente marinho e às operações de resgate do início do século XIX, que fragilizaram a estrutura do navio.
Ao norte da quilha, mergulhadores localizaram equipamentos de bordo, fragmentos de utensílios, chapas metálicas e o pequeno fragmento de mármore.
A escavação utilizou sistema de sucção para remover sedimentos com segurança e contou com uma equipe multidisciplinar, organizada em diferentes funções:
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| Equipe Especializada | Função na Escavação |
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Arqueologia
Arqueólogos Subaquáticos
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Responsáveis pela escavação detalhada do naufrágio Mentor e pelo registro preciso do contexto histórico de cada artefato encontrado.
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Ciência Marinha
Biólogos Marinhos
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Avaliam os impactos ambientais da operação e estudam os organismos incrustados nas peças submersas.
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Segurança
Instrutores de Mergulho
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Garantem a segurança operacional de toda a equipe durante as atividades subaquáticas.
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Documentação
Fotógrafos Subaquáticos
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Produzem registros visuais de alta precisão para documentação científica e divulgação.
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Preservação
Conservadores e Técnicos
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Atuam na estabilização, tratamento e preservação das peças retiradas do fundo do mar.
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Qual é a relação entre o navio Mentor, Lord Elgin e os Mármores do Partenon
O bergantim Mentor pertencia a Thomas Bruce, o sétimo conde de Elgin, diplomata britânico que promoveu a retirada de esculturas e blocos arquitetônicos da Acrópole sob domínio otomano.
O navio transportava parte dessas peças quando naufragou perto da ilha de Citera, em 1802, com uma carga de mármores e outras antiguidades.
Logo após o acidente, mergulhadores recuperaram boa parte dos blocos, que mais tarde foram vendidos ao Estado britânico e incorporados ao Museu Britânico em 1816, como Mármores de Elgin ou Mármores do Partenon.
O naufrágio tornou-se episódio-chave no debate sobre restituição, posse legal e riscos físicos enfrentados por esse patrimônio.
Confira no vídeo abaixo um pouco sobre a história do Mármore de Partenon:
O que o fragmento acrescenta ao debate sobre patrimônio grego e arqueologia subaquática
O novo fragmento não altera diretamente o quadro jurídico, mas fornece dados adicionais para a compreensão histórica da retirada e do transporte das esculturas.
Ao esclarecer o tipo de material a bordo, ele apoia discussões sobre integridade do monumento original e lacunas nos acervos atuais.
Para o estudo do patrimônio helênico, o achado mostra como restos de naufrágios ainda podem revelar capítulos pouco documentados do deslocamento de antiguidades.
A articulação entre evidências materiais do Mentor e documentos de época aprofunda a narrativa histórica dos Mármores do Partenon, hoje expostos principalmente fora da Grécia.
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