“Ucrânia deveria se apressar em aceitar o plano de paz”, diz Trump
Presidente americano sugeriu que poderia cortar ajuda militar caso o líder ucraniano rejeite o acordo
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira, 21, que o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, deveria aceitar o plano de paz proposto por Washington para o fim da guerra, alegando que “este inverno será rigoroso”.
Trump também sugeriu que, caso o líder ucraniano rejeite o acordo, os EUA poderão suspender o envio de armas e recursos militares.
“Acho que a Ucrânia deveria se apressar em aceitar o plano de paz, este inverno será rigoroso. Zelensky terá que aprovar o plano americano. Se ele não gostar, pode continuar lutando. Creio que vocês sabem que, se ele não o aceitar, o apoio dos EUA será suspenso. Acho que a paz entre a Ucrânia e a Rússia está próxima”, disse o presidente americano em coletiva.
O plano de paz de Trump para a Ucrânia
Washington apresentou a Kiev um plano de paz de 28 pontos.
A proposta endossa as principais exigências russas, exigindo que a Ucrânia ceda território, aceite limites às suas forças armadas e renuncie às ambições de ingressar na Otan.
Segundo a agência de notícias Reuters, os governo Trump deu uma semana para Zelensky aceitar a proposta, sob a ameaça de cortar o compartilhamento de informações e o fornecimento de armas para a Ucrânia.
Zelensky
Zelensky fez nesta sexta-feira, 21, uma declaração à nação, sinalizando o que pode fazer em relação ao plano de paz proposto pelo governo Trump para encerrar a invasão russa iniciada em 24 de fevereiro de 2022.
Falando na rua em frente ao seu escritório, um local usado apenas para discursos importantes, Zelensky disse que o país está diante de ‘um dos momentos mais difíceis de sua história’.
“A pressão sobre a Ucrânia é imensa. A Ucrânia pode se ver diante de uma escolha muito difícil: perder a dignidade ou correr o risco de perder um parceiro fundamental. Ou enfrentar os difíceis 28 pontos, ou um inverno extremamente rigoroso – o mais difícil – e outros riscos. Uma vida sem liberdade, sem dignidade, sem justiça. E ainda temos que acreditar em quem já nos atacou duas vezes.
Eles esperam uma resposta nossa. Embora, na verdade, eu já a tenha dado. Em 20 de maio de 2019, ao prestar juramento de fidelidade à Ucrânia, declarei, em particular: ‘Eu, Volodymyr Zelensky, eleito pela vontade do povo como Presidente da Ucrânia, comprometo-me, com todas as minhas ações, a defender a soberania e a independência da Ucrânia, a defender os direitos e as liberdades dos cidadãos, a respeitar a Constituição e as leis da Ucrânia, a cumprir meus deveres no interesse de todos os compatriotas e a elevar a autoridade da Ucrânia no mundo.’ Para mim, isso não é uma mera formalidade protocolar – é um juramento. E todos os dias sou fiel a cada palavra dele. E jamais o trairei. O interesse nacional ucraniano deve ser levado em consideração.”
Zelensky prometeu trabalhar com calma ao lado dos Estados Unidos e demais aliados em busca de uma solução construtiva.
“Apresentarei argumentos, tentarei convencer, oferecerei alternativas, mas definitivamente não daremos ao inimigo motivos para dizer que a Ucrânia não quer a paz, que é ela quem está a sabotar o processo e que a Ucrânia não está preparada para a diplomacia. Isso não acontecerá.
A Ucrânia trabalhará rapidamente. Hoje, sábado e domingo, durante toda a próxima semana e pelo tempo que for necessário. Em regime de 24 horas por dia, 7 dias por semana, lutarei para garantir que, entre todos os pontos do plano, pelo menos dois não sejam negligenciados: a dignidade e a liberdade dos ucranianos. Porque é nisso que tudo se baseia: nossa soberania, nossa independência, nossa terra, nosso povo. E o futuro da Ucrânia.
Faremos e devemos fazer tudo para garantir que a guerra termine e que a Ucrânia, a Europa e a paz mundial não cheguem ao fim.”
Ao relembrar o início da invasão, quando foram entregues a Kiev diversos planos, pontos e ultimatos sobre o fim do conflito, Zelensky disse não ter traído a Ucrânia e ter sentido o apoio de todos ao seu redor.
“Não traímos a Ucrânia naquela época, e não o faremos agora. E sei com certeza que, neste que é um dos momentos mais difíceis da nossa história, não estou sozinho. Que os ucranianos acreditam no seu Estado, que estamos unidos. E em todos os formatos de futuras reuniões, discussões e negociações com parceiros, será muito, muito mais fácil para mim alcançar uma paz digna para nós e convencê-los, sabendo cem por cento: por trás de mim está o povo da Ucrânia. Milhões de pessoas do nosso povo que têm dignidade, que lutam pela liberdade e que merecem a paz.”
Ele finalizou o discurso prometendo trabalhar no campo diplomático “em prol da nossa paz” e defendendo a união, liberdade e dignidade do povo ucraniano.
Leia mais: Zelensky vai aceitar o plano de Trump?
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Comentários (5)
MARCEL SILVIO HIRSCH
22.11.2025 09:21Esse molestador de mais fracos ainda quer ganhar o Nobel da Paz? Então é bom que invada a Noruega com o namoradinho Putin!
Ariadne
22.11.2025 08:16"Acordo de paz" seria o ditador Putin ser obrigado a deixar em paz a Ucrânia, país invadido e atacado inclusive durante a noite de Natal do ano passado! Não é guerra! Este, tem sido o verdadeiro genocídio!!!
Ivan Kolouboff
22.11.2025 07:20Trump diz que pode cortar ajuda a Ucrânia como se fosse um mecenas e não um comerciante que cobra por tudo que "dá" a Ucrânia.
Carlos Renato Cardoso Da Costa
22.11.2025 06:07Não é um acordo de paz, são condições aceites por um país derrotado na guerra. Trump acha que está conseguindo a paz quando, na verdade, está semeando futuros conflitos.
Gustavo Nascimento
21.11.2025 23:45Tem de dizer um sonoro .. Trump vá a m3rd4..