Trump já tem o próximo alvo: Groenlândia
Trump marca discussão sobre Groenlândia nas próximas semanas, enquanto líderes dinamarqueses rejeitam anexação
Depois dos intensos últimos acontecimentos militares na Venezuela, com direito a petardos verbais dirigidos a Cuba e Colômbia, a Groenlândia voltou a ser arrastada ao palco das tensões diplomáticas.
Isso porque o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tornou a afirmar que os EUA precisam tomar conta da enorme ilha ártica por razões de segurança nacional e marcou uma revisão da questão para as próximas semanas ao falar com repórteres a bordo do Air Force One.
Trump disse que quer discutir Groenlândia em cerca de 20 dias e insistiu que os EUA têm interesse estratégico no território, sugerindo que a Dinamarca não teria capacidade de protegê-la sozinha.
Essas palavras não são isoladas. Desde sua posse em 2025, Trump e seus aliados já haviam destacado motivos econômicos e de defesa para justificar esse foco internacional.
A resposta de Copenhague não tardou. A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, disse que não faz sentido falar numa necessidade americana de controlar Groenlândia e lembrou que os EUA não têm direito legal de anexar parte do Reino dinamarquês.
A declaração veio logo depois de Trump ligar a questão à sua recente ofensiva militar na Venezuela e aproveitou para pedir que Washington parasse com o que chamou de ameaças contra um aliado histórico e membro da Otan.
O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, qualificou a retórica americana como completamente inaceitável e pediu que o foco mudasse para respeito à soberania do povo groenlandês.
A questão também escalou nas redes sociais com postagens provocativas de apoiadores de Trump mostrando mapas da ilha sob a bandeira americana, o que ampliou a percepção de pressão sobre autoridades dinamarquesas e groenlandesas.
As objeções europeias não se limitaram à Dinamarca. Os demais países nórdicos, Suécia, Noruega e Finlândia, expressaram apoio à posição de Copenhague, bem como Reino Unido, França e Canadá, lembrando que Groenlândia é parte do reino dinamarquês e que acordos existentes já permitem cooperação militar sem transferência de soberania.
O interesse americano em Groenlândia remonta a décadas por causa de sua localização estratégica no Ártico e pelos seus recursos naturais, incluindo terras raras, essenciais para tecnologia e defesa, minerais críticos como lítio, níquel, cobre, zinco, importantes para a transição energética, além de petróleo, gás, e até mesmo água doce.
Segundo pesquisa realizada em 2025, 85% da população da Groenlândia rejeita a ideia de integração aos EUA.
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