Trump bane IA da Anthropic do governo dos EUA
Empresa recusa exigência militar de uso irrestrito de seus sistemas e sofre retaliação com decreto e classificação de risco à segurança nacional
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, determinou nesta sexta-feira, 27, que todas as agências federais encerrem o uso das ferramentas de inteligência artificial da Anthropic, startup responsável pelo modelo Claude. A decisão foi publicada na plataforma Truth Social e é resultado de um conflito entre a empresa e o Departamento de Defesa sobre os limites de aplicação militar da tecnologia.
A Anthropic, que mantinha um contrato de até US$ 200 milhões com o Pentágono, impôs restrições ao uso de seus sistemas: vedou a aplicação em vigilância doméstica em massa de cidadãos americanos e em armas letais autônomas sem supervisão humana.
O Departamento de Defesa, por sua vez, reivindicava o direito de empregar a tecnologia para “qualquer finalidade legal”, sem condicionantes impostas pelo fornecedor.
Prazo, pressão e recusa
Anthropic deveria aceitar os termos até as 17h01 desta sexta, horário local, ou enfrentaria medidas com base na Lei de Produção de Defesa, legislação da época da Guerra Fria que autoriza o governo federal a mobilizar o setor privado em nome da segurança nacional.
Com o prazo vencido e a recusa confirmada, Trump publicou a ordem presidencial. “Estou ordenando a TODAS as agências federais do governo dos Estados Unidos que CESSEM IMEDIATAMENTE todo o uso da tecnologia da Anthropic. Não precisamos dela, não a queremos e nunca mais faremos negócios com eles”, escreveu o presidente.
A empresa também foi advertida de que poderia ser classificada como risco à cadeia de suprimentos – designação normalmente atribuída a companhias vinculadas a países adversários, como China e Rússia. Mesmo diante das ameaças, a Anthropic manteve sua posição.
“Não podemos, em sã consciência, atender ao pedido deles”, declarou o diretor executivo da empresa, Dario Amodei.
Decreto e consequências
O decreto prevê um período de transição de seis meses para órgãos que já integravam os sistemas da Anthropic em suas operações, como o próprio Departamento de Defesa. Em paralelo, o secretário de Defesa formalizou a classificação da empresa como risco à cadeia de suprimentos para a segurança nacional.
Com essa classificação, qualquer empresa que mantenha relações comerciais com o Pentágono ou com contratantes militares fica impedida de operar com a Anthropic – o que pode comprometer uma parcela significativa da base de clientes corporativos da startup, cujos negócios frequentemente se conectam ao setor de defesa.
A Anthropic não se manifestou publicamente até o momento da publicação desta reportagem.
O CEO da OpenAI, Sam Altman, declarou compartilhar as mesmas restrições éticas da Anthropic quanto ao uso militar de IA, e afirmou estar em negociações com o Pentágono para firmar um acordo que excluísse aplicações em vigilância doméstica e em sistemas letais autônomos.
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