Trump ameaça Irã por repressão a “manifestantes pacíficos”
"Estamos prontos para agir", afirmou o presidente dos EUA
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira, 2, que o EUA podem intervir caso o regime iraniano continue repreendendo com violência os “manifestantes pacíficos” que fazem protestos pelo país motivados pelo alto custo de vida e pela instabilidade econômica.
“Se o Irã atirar e matar violentamente manifestantes pacíficos, como é seu costume, os Estados Unidos da América virão em seu auxílio. Estamos prontos para agir”, escreveu o presidente americano na rede Truth Social.
Pelo menos sete pessoas já foram mortas em confrontos com as forças de segurança do país.
As mortes, duas na quarta-feira, 31, e cinco na quinta, 1º, ocorreram em quatro cidades habitadas, em sua maioria, pelo grupo étnico Lur, registrou a Associated Press.
Resposta iraniana
No X, Ali Larijani, ex-presidente do parlamento e atual secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, acusou Israel e EUA de fomentarem os protestos no país.
“Com as declarações de autoridades israelenses e Donald Trump, o que estava acontecendo nos bastidores ficou claro. Distinguimos entre a postura dos comerciantes que protestam e as ações de elementos disruptivos, e Trump deve perceber que a intervenção dos EUA nessa questão interna desestabilizará toda a região e destruirá os interesses americanos.
O povo americano deve saber que Trump deu início a essa aventura e deve prestar atenção à segurança de seus soldados.”
Ali Shamkhani, conselheiro do aiatolá Ali Khamenei e ex-secretário do Conselho de Segurança da ONU, disse que “qualquer intervenção que se aproxime demais da segurança do Irã será decepada”.
“A segurança nacional do Irã é uma linha vermelha, não um assunto para tuítes irresponsáveis”, acrescentou.
Protestos no Irã
Os protestos atuais, que já duram seis dias, são os maiores no Irã desde 2022, quando milhares de manifestantes foram às ruas em reação à morte de Mahsa Amini, de 22 anos, que estava sob custódia policial.
Desta vez, a mobilização começou quando comerciantes de Teerã suspenderam atividades em protesto contra a hiperinflação. A insatisfação se estendeu para o ambiente acadêmico em universidades e outras divisões administrativas iranianas.
O Centro de Estatísticas indicou que os preços subiram 52% em dezembro na comparação com o período correspondente do ano anterior. Itens básicos apresentam escassez, e a moeda rial perdeu um terço de seu valor frente ao dólar.
O presidente Masoud Pezeshkian manifestou preocupação com as condições de subsistência dos cidadãos em discurso televisivo: “De um ponto de vista islâmico […], se não resolvermos o problema dos meios de subsistência das pessoas, acabaremos no inferno”.
O governo tenta equilibrar mensagens de diálogo com o uso da força.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)