Terrorista de Manchester disse ter matado judeus “em nome do ISIS”, revela Polícia
Jihad al-Shamie atropelou e esfaqueou pessoas em frente à sinagoga da Congregação Hebraica de Heaton Park, em Crumpsall, em 2 de outubro
O chefe adjunto do Policiamento Antiterrorismo do Noroeste britânico, Rob Potts, revelou nesta quarta-feira, 8, que Jihad al-Shamie, autor do ataque terrorista a uma sinagoga de Manchester na quinta-feira, 2, ligou para a polícia jurando lealdade ao Estado Islâmico (ISIS, na sigla em inglês).
“Jihad Al Shamie foi visto agindo de forma suspeita do lado de fora da sinagoga antes de ser abordado pelos seguranças. Isso não foi relatado à polícia porque o homem se afastou quando questionado.
Cerca de 15 minutos depois, ele retornou ao local em um Kia preto e deliberadamente dirigiu o carro contra pessoas inocentes antes de colidir com um muro. Em seguida, ele saiu do veículo armado com uma faca e retomou o ataque.
Ele estava com uma segunda faca e também carregava consigo um dispositivo falso. Este dispositivo foi posteriormente avaliado e confirmado como inviável.
Minutos após a primeira ligação para a GMP [Polícia da Grande Manchester] e enquanto os policiais armados se dirigiam ao local, Shamie ligou para o 999 reivindicando a responsabilidade pelo ataque. Ele também jurou lealdade ao Estado Islâmico.”
Segundo Potts, “esta continua sendo uma investigação antiterrorismo em andamento”.
Vídeos de conteúdo extremista
O portal Manchester Evening News publicou no sábado, 4, que uma mulher, que supostamente teve um relacionamento anterior com Shamie, disse ter sido forçada a assistir conteúdos extremistas.
“Ele costumava dizer: ‘Quero que você se dedique à causa’, e costumava sentar lá e me fazer assistir a vídeos – vídeos radicais – nos quais eu não tinha interesse. Sou muçulmana e, claro, adoro aprender mais. Mas essas coisas eram coisas com as quais fui criada para não concordar”, afirmou.
“Ele sempre dizia que eu tinha sido ensinada da maneira errada e que não tinha sido ensinada da maneira certa. Ele estava basicamente tentando me moldar para que eu seguisse o que ele pensava”, continuou.
Suposto estupro
Os jornais Guardian e Telegraph noticiaram na sexta, 3, que o autor do crime era investigado por um suposto ataque sexual ocorrido no início de 2025.
Nascido na Síria, ele não estava no radar dos agentes antiterrorismo ou do MI5, a agência de inteligência doméstica do Reino Unido.
Ataque à sinagoga
Jihad al-Shamie atropelou e esfaqueou pessoas em frente à sinagoga da Congregação Hebraica de Heaton Park, em Crumpsall, no norte de Manchester.
Duas pessoas morreram, e três ficaram gravemente feridas.
O agressor foi morto a tiros pela polícia.
Escalada de antissemitismo
O ataque em Crumpsall ocorreu no Yom Kippur, o dia mais sagrado do calendário judaico, em meio ao aumento dos incidentes antissemitas no Reino Unido.
Segundo o Community Security Trust (CST), organização que monitora crimes de ódio contra judeus, o país registrou 3.528 episódios em 2024, o segundo maior número já documentado.
Somente no primeiro semestre de 2024, a Grande Manchester somou 268 casos, atrás apenas de Londres.
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