Taiwan teme perder sua maior arma contra a China
Expansão da produção de semicondutores nos EUA pode enfraquecer a influência estratégica da ilha
A Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC), maior fabricante de chips do mundo, anunciou um plano de expansão de US$ 100 bilhões para construir novas fábricas nos Estados Unidos.
O movimento gerou preocupações em Taiwan sobre o possível enfraquecimento de sua posição estratégica no setor de semicondutores, considerada essencial para sua segurança contra a China.
O investimento da TSMC nos EUA, somado aos aportes anteriores, chega agora a US$ 165 bilhões.
A empresa já possui uma planta em funcionamento no estado do Arizona, inaugurada em 2024, e prevê uma segunda para 2028. Além dessas fábricas, a nova rodada de investimentos inclui três unidades adicionais de produção, duas instalações de embalagem avançada e um centro de pesquisa e desenvolvimento.
A decisão ocorre em meio à crescente tensão entre Taiwan e a China, que reivindica a ilha como parte de seu território e não descarta o uso da força para reunificação.
O domínio de Taiwan sobre a produção de semicondutores, com cerca de 60% do mercado global, tem sido visto como um “escudo de silício” que dificulta ações mais agressivas de Pequim.
Apesar de o presidente taiwanês Lai Ching-te ter classificado o anúncio como um “momento histórico” para as relações com os EUA, a oposição, liderada pelo Partido Kuomintang (KMT), criticou o governo por permitir um deslocamento estratégico da indústria de chips.
Segundo analistas, transferir parte da produção para os EUA pode diminuir o peso econômico e político de Taiwan na geopolítica global.
Donald Trump reivindicou o mérito da ampliação da TSMC nos EUA, afirmando que sua visão e pressão foram fundamentais para atrair os investimentos.
Ele também ameaça impor tarifas de até 100% sobre chips produzidos em Taiwan, o que pode obrigar ainda mais empresas a transferirem fábricas para o solo americano.
Especialistas alertam que, com os avanços na produção de chips de 2 nanômetros esperados para 2027 e 2028, Taiwan pode perder parte de sua vantagem competitiva.
Além dos investimentos nos EUA, a TSMC também expande sua presença na Alemanha e no Japão, em um movimento que reflete a crescente disputa global pelo controle da cadeia de semicondutores, setor considerado crucial para o desenvolvimento de inteligência artificial e sistemas militares avançados.
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Comentários (1)
ALDO FERREIRA DE MORAES ARAUJO
11.03.2025 09:33Se a China pretende mesmo invadir Taiwan, este segundo mandato de Trump é o momento certo.